Bolsa sobe e dólar cede: "Esse movimento do Ibovespa reflete uma reacomodação das expectativas após um período de maior cautela no cenário global", diz operador (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 17 de março de 2026 às 15h20.
O Ibovespa voltou a ganhar força no pregão desta terça-feira, 17, e retomou o patamar dos 181 mil pontos. Por volta das 15h10, o principal índice da B3 avançava 1,14%, aos 181.925 pontos. No câmbio, o dólar ampliava a queda frente ao real, recuando 0,95%, cotado a R$ 5,18 no mesmo horário.
Entre os destaques, a Natura (NATU3) mantinha a liderança entre as maiores altas, com avanço de quase 9% após a divulgação de balanço. Entre as blue chips, os papéis da Petrobras seguiam em alta, com PETR3 subindo 2,75% e PETR4 avançando 3,20%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
Os preços da commodity continuam pressionados pelos desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, o que favorece empresas do setor de energia. Ainda assim, a Brava Energia mantinha queda de 1,45%, após perder a disputa por ativos da Petronas para a Petrobras. Já a Magazine Luiza passou a liderar as perdas do dia, com recuo de 1,93%.
"Esse movimento do Ibovespa reflete uma reacomodação das expectativas após um período de maior cautela no cenário global. Mesmo com o petróleo em alta, que pressiona a inflação e os juros, o mercado brasileiro passa a receber fluxo e mostra uma reprecificação dos ativos", afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Segundo Lima, esse contexto favorece papéis ligados a commodities, como Petrobras e Vale, embora o direcionamento ainda dependa das decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre os juros e da evolução dos preços internacionais do petróleo. A Vale (VALE3) que chegou a recuar no início da tarde, também voltou a subir 0,37%.
Na mesma linha, João Kepler, CEO da Equity Group, avalia que o movimento indica melhora na percepção de risco.
"Sinaliza um ambiente de maior confiança por parte dos investidores, mesmo diante de fatores externos ainda sensíveis. Esse movimento tende a destravar decisões que estavam represadas, porque reduz o nível de incerteza. Para o setor empresarial, especialmente inovação e tecnologia, isso abre espaço para novos ciclos de investimento e crescimento com maior previsibilidade", diz Kepler.
Houve ataques iranianos a operações no campo de gás Shah, nos Emirados Árabes Unidos. Ao mesmo tempo, a Casa Branca afirmou que petroleiros começaram a atravessar o Estreito de Ormuz, principal rota marítima global para o transporte de petróleo.
Em meio a informações desencontradas, investidores seguem atentos ao cenário geopolítico, enquanto o petróleo avança mais de 1% nesta manhã.
Israel também afirmou ter matado o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, durante a noite, o que pode elevar as tensões na região.
Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 1,25%, aos 179.875 pontos, enquanto o dólar caiu 1,63%, a R$ 5,229, devolvendo parte dos ganhos recentes. O movimento refletiu a redução da busca por proteção após a ausência de novos episódios que intensificassem o conflito no Oriente Médio nos últimos dias. Ainda assim, na semana passada, o índice acumulou queda de quase 1%, chegando à faixa dos 177 mil pontos.
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece entre hoje e quarta-feira, 18, tende a marcar o início do ciclo de queda da taxa básica de juros, a Selic, no Brasil — mas a intensidade desse primeiro movimento passou a dividir o mercado financeiro após a escalada do conflito no Oriente Médio e o salto nos preços do petróleo e pode estar impactando também as negociações nesta terça.
A Selic está em 15% ao ano desde maio de 2024.
Nas últimas semanas, o barril do Brent saiu da casa dos US$ 70 para níveis próximos de US$ 100, movimento que elevou as incertezas inflacionárias globais e levou parte dos economistas a revisar suas projeções para a política monetária brasileira.
Antes da deterioração do cenário externo, a expectativa predominante entre analistas era de que o Banco Central iniciaria o ciclo com um corte de 0,50 ponto percentual. Agora, cresce a avaliação de que o Copom pode optar por um movimento mais cauteloso de 0,25 p.p -- e alguns analistas já apostam na manutenção da taxa básica de juros.