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Decisão do Fed sobre juros nos EUA ajuda ou atrapalha o rali do Ibovespa?

Com decisão amplamente precificada, atenção do mercado se volta ao comunicado do Fed e às sinalizações sobre cortes futuros

Decisão do Fed: expectativa majoritária do mercado é que Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) interrompa a sequência de corte de 0,25 pontos-base, iniciada em setembro, e mantenha a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75% (Kevin Lamarque/Reuters)

Decisão do Fed: expectativa majoritária do mercado é que Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) interrompa a sequência de corte de 0,25 pontos-base, iniciada em setembro, e mantenha a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75% (Kevin Lamarque/Reuters)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 14h30.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) divulga nesta quarta-feira, 28, sua decisão de política monetária, em um momento em que a bolsa brasileira acumula sucessivos recordes históricos.

A expectativa majoritária do mercado é que Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) interrompa a sequência de corte de 0,25 pontos-base, iniciada em setembro, e mantenha a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75%, patamar que já está amplamente precificado pelos investidores.

Diante desse cenário, analistas avaliam que o impacto direto da decisão sobre o Ibovespa tende a ser limitado no curto prazo.

Por outro lado, a comunicação do Fed pode influenciar as expectativas e o fluxo de capital para mercados emergentes ao longo dos próximos meses.

Foco do mercado está na comunicação do Fed

“O que vai ser importante na decisão do Fed é o dissenso e, principalmente, o tom do comunicado”, afirma Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil.

"Uma decisão em linha com o esperado, de manutenção dos juros, deve trazer pouco impacto para a Bolsa Brasileira, principalmente porque é algo que já está muito precificado, a manutenção desses juros", acrescentou.

Na visão da economista, a sinalização sobre quanto tempo os juros devem permanecer no nível atual é que será determinante para ajustar as expectativas dos investidores. Hoje, o mercado projeta dois cortes adicionais nos Fed Funds ao longo do ano, com uma redução esperada para junho e outra possibilidade mais adiante, no segundo semestre.

O próprio Fed, contudo, tem adotado uma postura mais conservadora, indicando espaço para apenas um corte de 25 pontos-base, conforme projeções divulgadas em dezembro pelo órgão.

Nesse contexto, Costa avalia que o impacto da decisão tende a ser marginal para a renda variável, enquanto os efeitos mais relevantes aparecem na renda fixa e no câmbio.

"O pano de fundo dos últimos dias tem sido o enfraquecimento do dólar norte-americano frente a outras moedas. A fraqueza do dólar norte-americano e daí esse, pensando em fluxo para a Bolsa brasileira, permanece a percepção de que você tem um fluxo positivo para mercados emergentes e o Brasil faz parte desse pacote, está nesse conjunto", afirmou a economista.

A leitura é compartilhada por Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, que também projeta pouco impacto imediato da decisão sobre o índice. Segundo ele, o desempenho da bolsa brasileira tem sido sustentado pela queda do dólar, pela valorização das commodities e pela expectativa de cortes na Selic,a taxa básica de juros brasileira.

Diferencial de juros no radar

Ainda assim, uma eventual sinalização de retomada do ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos poderia elevar o apetite ao risco global e, de forma indireta, favorecer tanto o real quanto a bolsa brasileira.

“A decisão em si é amplamente esperada e não deve trazer surpresas. O foco do mercado estará na comunicação”, afirma Siqueira, destacando que a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, costuma gerar volatilidade adicional nos ativos.

Essa será, inclusive, a primeira aparição pública da autoridade monetária desde que veio a público a investigação criminal conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionada aos custos da reforma dos prédios do Fed.

Do ponto de vista estrutural, João Daronco, analista CNPI da Suno Research, explica que cortes mais profundos nos juros americanos tendem a produzir dois efeitos relevantes para mercados como o Brasil.

O primeiro é o aumento da busca por ativos de maior risco, à medida que o retorno dos títulos públicos dos EUA diminui, o que beneficia mercados acionários. O segundo é a preservação, ou ampliação, do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, caso não haja cortes equivalentes na taxa doméstica, o que tende a favorecer o câmbio brasileiro.

"O tom da comunicação é fundamental para entender se essa trajetória de queda deve continuar”, diz Daronco.

As projeções do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) caminham na mesma direção. O banco espera a manutenção dos juros nesta reunião. A avaliação é de que o Fed segue “bem posicionado para aguardar e observar” a evolução da economia, com a política monetária já próxima do nível considerado neutro.

O diagnóstico do Comitê continua apontando riscos maiores de desaceleração no mercado de trabalho do que de aceleração da inflação, o que sustenta a expectativa de dois cortes adicionais de 25 pontos-base por volta do meio do ano, levando a taxa terminal para o intervalo entre 3,0% e 3,25%.

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