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Natura sobe 10% e é maior alta do Ibovespa após balanço do 4º trimestre

Mercado vê evolução nos indicadores operacionais da companhia

Natura: receitas caíram com queda no consumo (Divulgação/Natura/Divulgação)

Natura: receitas caíram com queda no consumo (Divulgação/Natura/Divulgação)

Publicado em 17 de março de 2026 às 12h03.

As ações da Natura (NATU3) lideram os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira, 17, após a divulgação de resultados trimestrais. Os papéis ordinários da companhia chegaram a subir mais de 12% e, por volta das 11h50, mantinham o avanço com alta de 8,11%, enquanto o principal índice acionário da B3 avançava 1,18%, aos 182.002 pontos.

O movimento ocorre após a empresa reportar, na noite de segunda, 16, seu balanço do quarto trimestre e do consolidado de 2025. A Natura registrou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no período, reduzindo as perdas em relação aos R$ 438 milhões negativos de um ano antes.

Considerando apenas as operações continuadas, houve lucro de R$ 186 milhões, revertendo o prejuízo do mesmo intervalo de 2024. O resultado foi impactado por efeitos não recorrentes ligados à venda de ativos, enquanto o desempenho operacional mostrou avanço de rentabilidade.

Ainda assim, a receita líquida seguiu pressionada, com queda de 12,1% em reais, para R$ 6,2 bilhões, refletindo a desaceleração no Brasil e desafios na integração das operações na América Latina. Em contrapartida, o EBITDA recorrente somou R$ 978 milhões, com margem de 15,8%, avanço relevante na comparação anual, impulsionado pela redução de despesas e ganhos de eficiência.

Bancos apontam desempenho misto da Natura

Em relatório nesta terça, o Banco Safra apontou o resultado da companhia como misto. A instituição destaca que a receita veio abaixo do esperado, enquanto o EBITDA superou as estimativas, sustentado por ajustes relevantes.

Para os analistas, "as vendas continuam em tendência de queda, mas a Natura pode recuperar a rentabilidade", embora a visibilidade dessa melhora ainda seja limitada diante do ambiente macroeconômico e da fraqueza em algumas divisões. A recomendação foi mantida neutra, com preço-alvo de R$ 9,00.

Já BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) também aponta que a dinâmica de receita segue pressionada, mas vê evolução nos indicadores operacionais.

Segundo o banco, ao excluir itens não recorrentes, tanto o EBITDA quanto o lucro vieram acima das expectativas, beneficiados principalmente pela otimização de despesas. Ainda assim, a instituição ressalta que o processo de recuperação é gradual e depende de uma melhora consistente nas vendas e da continuidade da redução da alavancagem.

"Embora a administração tenha feito progressos louváveis na simplificação da estrutura corporativa e os resultados operacionais recentes tenham sido melhores do que o esperado, continuamos a monitorar as tendências de recuperação das margens, a redução da alavancagem e a recuperação das vendas no Brasil e na América Latina hispânica antes de adotar uma postura mais construtiva. Por enquanto, mantemos nossa classificação Neutra", afirmaram os analistas do BTG.

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