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Ibovespa vira para queda após recorde com pressão dos bancos e NY

A bolsa brasileira passou a refletir as perdas das principais bolsas de Nova York, que também perderam força ao longo da manhã

Ibovespa passa a cair: : às 12h14, o principal índice da B3 recuava 0,39%, aos 183.967 pontos (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa passa a cair: : às 12h14, o principal índice da B3 recuava 0,39%, aos 183.967 pontos (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 12h26.

Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 12h53.

O Ibovespa virou para queda perto do meio-dia nesta quinta-feira, 29, após ter renovado máximas históricas logo na abertura do pregão. Às 12h14, o principal índice da B3 recuava 0,39%, aos 183.967 pontos, pressionado principalmente pela queda das ações de grandes bancos e pelo mau humor vindo de Wall Street.

A reversão ocorreu depois de o índice ter atingido 186.449,75 pontos na máxima intradiária, ainda na primeira hora de negociações. Ao longo da manhã, o Ibovespa passou a se afastar gradualmente do pico e, por volta das 11h, ainda sustentava alta de 0,52%, antes de perder força de vez.

O principal vetor da virada foi o setor bancário, que devolveu os ganhos iniciais. Com exceção das ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3), que subiam 0,71%, todos os demais papéis dos grandes bancos operavam em queda.

As units do BTG Pactual (BPAC11) lideravam as perdas, com baixa de 1,85%, enquanto as preferenciais do Itaú (ITUB4), que têm quase 9% de participação no Ibovespa, recuavam 0,32%.

Big techs pressionam bolsas de NY

O mercado doméstico também acompanhou o movimento negativo das bolsas americanas. Em Nova York, os principais índices passaram a operar no vermelho à medida que investidores repercutiam balanços de grandes empresas de tecnologia.

Perto das 12h20, o Dow Jones caía 0,22%, o S&P 500 recuava 0,79% e o Nasdaq ampliava as perdas, com queda de 1,69%, pressionado sobretudo pelo setor de tecnologia.

As ações da Microsoft (MSFT) lideravam as perdas, com queda de quase 12%, enquanto a Tesla (TSLA) recuava 2,02%. Na ponta oposta, a Meta (META) avançava 7,32%, sustentando parte do humor positivo no setor, enquanto a Apple (AAPL) caía 0,20% antes da divulgação de seus resultados.

A leitura dos investidores, no entanto, vai além do simples "resultado bom ou ruim". A Tesla, apesar de ter registrado uma queda de 61% no lucro, conseguiu superar as estimativas de receita e lucro por ação diluído, além de reforçar sua narrativa de longo prazo em inteligência artificial, carros autônomos e energia.

O anúncio de um investimento de US$ 2 bilhões na xAI, empresa de IA criada por Elon Musk, ajudou a sustentar a tese estratégica, mesmo com números ainda pressionados no curto prazo.

Já a Meta foi a grande vencedora do dia de ontem ao entregar exatamente o que o mercado buscava: crescimento robusto de receita, avanço na monetização de IA e um guidance positivo. A empresa superou expectativas e encerrou 2025 com receita acima de US$ 200 bilhões, mostrando que é possível acelerar investimentos em tecnologia sem comprometer a rentabilidade.

Em contraste, a Microsoft, mesmo tendo batido lucro e receita no quarto trimestre, foi penalizada pelo forte aumento dos gastos com infraestrutura de IA, reacendendo dúvidas sobre eficiência e retorno desses investimentos no médio e longo prazo.

Copom e commodities de contrapeso

A virada acontece após um início de pregão marcado por forte apetite ao risco, sustentado pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 15% ao ano, mas surpreendeu parte do mercado ao adotar um tom mais dovish no comunicado.

A retirada da menção à necessidade de uma política “significativamente contracionista por um período prolongado” reforçou as apostas de que o ciclo de cortes de juros pode começar já na próxima reunião, em março.

Além do fator monetário, o avanço das commodities havia impulsionado ações de peso no índice, como Vale e Petrobras, o que levou o Ibovespa a renovar recordes pela terceira sessão consecutiva.

Entre as poucas ações em alta, o destaque fica com a estatal petrolífera, cujas ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4) lideram o pregão com altas de 1,80% e 1,58%, respectivamente. As ações da mineradora, também de peso no Ibovespa, avançam 0,99%.

A alta da Petrobras acompanha os preços do petróleo, que subiram nesta quinta depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã — um dos principais produtores de petróleo — com possíveis ataques militares e afirmou que o tempo para um acordo que limite o programa nuclear de Teerã está se esgotando.

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