Ibovespa: o principal índice da B3 avançava cerca de 0,60%, aos 176,842 mil pontos (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 11h00.
Última atualização em 14 de julho de 2026 às 11h08.
O Ibovespa abriu o pregão desta terça-feira, 14, em alta, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior, em um movimento impulsionado pela divulgação de dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos abaixo das expectativas do mercado. A leitura reforça o apetite por ativos de risco, pressionou o dólar e os juros futuros para baixo e deu fôlego às bolsas.
Por volta das 11h, o principal índice da B3 avançava cerca de 0,60%, aos 176,842 mil pontos. Entre os destaques positivos estavam as ações da Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e dos grandes bancos, que sustentavam o desempenho do índice.
Na ponta das maiores altas apareciam Magazine Luiza, beneficiada pela queda dos juros futuros, Hapvida, após perspectivas positivas para a geração de caixa no segundo trimestre, e Telefônica Brasil.
No mercado de câmbio, o dólar comercial recuava cerca de 1,12%, negociado próximo de R$ 5,075, enquanto o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas, caía 0,46%. Os contratos de juros futuros também operavam em queda, refletindo o alívio trazido pelos dados de inflação dos Estados Unidos.
Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o índice de preços ao consumidor dos EUA caiu 0,4% em junho na comparação mensal, revertendo a alta de 0,5% registrada em maio e marcando a maior queda desde abril de 2020.
Na comparação anual, a inflação desacelerou para 3,5%, abaixo tanto da leitura anterior, de 4,2%, quanto das expectativas do mercado. Já o núcleo do CPI, que exclui os preços de alimentos e energia, ficou estável no mês, contrariando a expectativa de alta de 0,2%, enquanto a taxa anualizada recuou para 2,6%.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a surpresa baixista foi explicada principalmente pela forte retração dos preços da energia. O índice do segmento caiu 5,7% em junho, puxado pelo recuo da gasolina após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, movimento que compensou as altas registradas em itens como moradia e alimentos.
Apesar da reação positiva dos mercados, o estrategista avalia que os números não alteram, por enquanto, a expectativa para a política monetária americana. Segundo Alves, o Federal Reserve continua inclinado a elevar os juros em setembro, após manter uma postura firme no combate à inflação. A expectativa segue sendo de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% na reunião de julho, seguida de uma alta de 0,25 ponto percentual em setembro.
"Embora os dados tenham trazido algum alívio, eles ainda não são suficientes para mudar a percepção de que serão necessários novos avanços antes de uma convergência sustentável da inflação para a meta de 2%", afirma.
O cenário também é acompanhado de perto por investidores diante do depoimento do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ao Congresso americano. Em trechos antecipados de seu discurso, o dirigente reforçou que o principal objetivo da autoridade monetária é garantir que o surto inflacionário dos últimos anos fique definitivamente para trás, reiterando que o controle da inflação continua sendo a prioridade da instituição.
Nos Estados Unidos, os investidores também repercutem a temporada de balanços. Antes da abertura dos mercados, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup divulgaram seus resultados trimestrais.
Em meio a esse cenários, todos os principais índices acionários de Wall Street abriram no campo positivo. O S&P subia 0,28%, por volta das 11h, assim como o Nasdaq avançava 0,62%. Apenas o Dow Jones operava estável mas com o viés de alta de 0,05%.
No radar, permanece ainda a escalada das tensões no Oriente Médio. A valorização do petróleo continua sustentada pelo cenário geopolítico, com o barril do Brent acima de US$ 87 e o WTI superando os US$ 80, acompanhados de perto pelos investidores devido ao potencial impacto sobre a inflação global.