As exportações de cachaça alcançaram 7,96 milhões de litros em 2025, alta de 19,4% sobre o ano anterior. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 31 de julho de 2026 às 12h20.
O setor brasileiro de cachaça vive um momento de expansão sem precedentes, mas um dado chama atenção no balanço de 2025: enquanto o número de produtores, produtos e exportações bateu recordes, o volume de produção encolheu.
Segundo o Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), o país encerrou 2025 com 1.538 estabelecimentos produtores registrados, um crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior — o maior da série histórica, iniciada em 2018. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 31.
Ao mesmo tempo, a produção declarada caiu para 234,5 milhões de litros, uma redução de 15,8% frente a 2024.
A combinação entre expansão do número de empresas e retração da produção revela um cenário de transformação do setor e indica que o crescimento da cadeia não está necessariamente associado a um aumento imediato da oferta de bebida.
O levantamento mostra que o crescimento foi disseminado por diferentes indicadores. O número de produtos registrados chegou a 8.379, alta de 16% em relação a 2024, enquanto as marcas vinculadas aos registros avançaram 16,8%, alcançando 11.131.
A atividade também ampliou sua presença territorial. Atualmente, 844 municípios brasileiros possuem ao menos um estabelecimento elaborador de cachaça registrado, um crescimento de 14,8% em comparação com o ano anterior.
Para o setor, os números refletem o fortalecimento da cadeia produtiva em diferentes regiões do país, especialmente em municípios do interior, onde a produção da bebida representa uma importante fonte de geração de renda e desenvolvimento econômico.
Minas Gerais permanece na liderança nacional, com 564 estabelecimentos registrados, seguido por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106).
O Sudeste concentra 62,5% dos produtores brasileiros, embora todas as regiões tenham apresentado crescimento em 2025. O maior avanço percentual ocorreu na Região Sul, que expandiu 51,4%.
Outro indicador positivo veio do mercado externo. As exportações de cachaça alcançaram 7,96 milhões de litros em 2025, alta de 19,4% sobre o ano anterior. Em valor, os embarques somaram US$ 17,07 milhões, crescimento de 17,4%.
Ao todo, a bebida brasileira chegou a 76 países, igualando o maior número de destinos da série histórica. Os Estados Unidos permaneceram como principal mercado em valor exportado, enquanto o Paraguai liderou em volume.
Apesar dos avanços, o setor avalia que a participação da cachaça no mercado internacional ainda está distante de seu potencial.
“O dados demonstram a expansão e a resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil e formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. Ao mesmo tempo, evidenciam que ainda estamos distantes do verdadeiro potencial da Cachaça, especialmente no mercado internacional”, diz Vicente Bastos, presidente do IBRAC.
Segundo ele, ampliar a presença internacional da bebida passa pela superação de obstáculos estruturais, como a elevada carga tributária e a falta de isonomia tributária em relação a outras bebidas alcoólicas, fatores que reduzem a competitividade da cachaça brasileira.