Invest

Brasil é o país que mais distribui dividendos na América Latina, diz estudo

Dividendos globais cresceram 10,1% no 1º trimestre de 2026; Brasil lidera a região com US$ 6,3 bilhões distribuídos, ocupando a 11ª posição no ranking mundial.

Brasil respondeu por quase 60% dos dividendos pagos na América Latina no primeiro trimestre de 2026. (Imagem gerada com IA/Exame)

Brasil respondeu por quase 60% dos dividendos pagos na América Latina no primeiro trimestre de 2026. (Imagem gerada com IA/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h06.

O mercado global de dividendos manteve crescimento no primeiro trimestre de 2026, com destaque para a atuação do Brasil, que figura entre os principais pagadores de proventos da América Latina. Segundo a primeira edição do Janus Henderson Global Dividend and Buyback Index, os dividendos globais atingiram US$ 424,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, alta de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as recompras de ações somaram US$ 425,7 bilhões, mas recuaram 3,1% no comparativo anual.

Segundo o índice, os dividendos globais devem crescer 8,3% em 2026, enquanto as recompras devem recuar 1,1%, refletindo um cenário de juros mais altos, pressões geopolíticas e incertezas econômicas.

Os dividendos costumam ser pagos com base em decisões de longo prazo baseados na sustentabilidade do negócio, enquanto recompras têm natureza mais cíclica e facultativa, atuando como um amortecedor para a volatilidade do mercado. "Nesse sentido, os dividendos continuam sendo o sinal mais forte de confiança, enquanto as recompras de ações atuam como um amortecedor mais flexível", afirma Jane Shoemake, gestora de carteiras de clientes da equipe de Renda de Ações Globais da Janus Henderson.

Para a especialista, em meio a um cenário macroeconômico cada vez mais incerto, a surpresa tem sido a solidez dos lucros em todo o mundo. "Esses lucros quase sempre têm como resultado dividendos mais elevados, e é exatamente isso que estamos vendo atualmente em diversos setores e regiões", complementa.

Na América Latina, os dividendos somaram US$ 10,5 bilhões, alta de 15% sobre o mesmo período de 2025. O Brasil foi responsável por quase 60% desse total, distribuindo cerca de US$ 6,3 bilhões, o que coloca o país na 11ª posição global em dividendos pagos no trimestre.

As recompras na região foram mais moderadas, atingindo US$ 1,1 bilhão, refletindo menor participação nesse mecanismo de retorno de capital. Entre as empresas brasileiras, a mineradora Vale se destacou, aumentando o dividendo por ação de R$ 2,66 para R$ 3,58 no período.

Outros países relevantes da América Latina incluíram o México (US$ 1,4 bilhão, impulsionado pelo Grupo México) e o Chile (US$ 2 bilhões), ambos com crescimento de dividendos atrelado ao setor de mineração.

Veja o ranking global de dividendos por país:

  1. Estados Unidos: US$ 183,5 bilhões
  2. Suíça: US$ 27,3 bilhões
  3. China: US$ 25,2 bilhões
  4. Arábia Saudita: US$ 24,5 bilhões
  5. Canadá: US$ 18,4 bilhões
  6. Reino Unido: US$ 17,7 bilhões
  7. Austrália: US$ 14,9 bilhões
  8. Dinamarca: US$ 9,4 bilhões
  9. Índia: US$ 8,1 bilhões
  10. Alemanha: US$ 7,5 bilhões
  11. Brasil: US$ 6,3 bilhões

A América do Norte segue liderando o retorno de capital aos acionistas, respondendo por 51% do total global em dividendos. Os Estados Unidos, isoladamente, distribuíram US$ 183,5 bilhões, enquanto as recompras atingiram US$ 266,7 bilhões.

Na Europa, fora do Reino Unido, o montante distribuído chegou a US$ 67,4 bilhões, liderado pela Suíça (US$ 27,3 bilhões) e Dinamarca (US$ 9,4 bilhões). O Reino Unido pagou US$ 17,7 bilhões, com destaque para dividendos especiais de empresas como Next e Reckitt. Além dos dividendos especiais, pagamentos na região foram sustentados por uma gama diversificada de empresas, incluindo a AstraZeneca e a Shell.

O setor financeiro se manteve como o maior distribuidor de dividendos globais, pagando US$ 90,8 bilhões, e também liderou as recompras de ações, com US$ 110,7 bilhões, representando mais de um terço do total registrado no índice.

O setor de materiais básicos teve o crescimento mais expressivo entre todos os segmentos, com os dividendos subindo 47,1% no período. Esse aumento foi impulsionado pela demanda por minerais estratégicos, como cobre e lítio, essenciais para a produção de semicondutores, centros de dados e infraestrutura ligada à inteligência artificial.

Já o setor de tecnologia continuou a ser crucial para os retornos aos acionistas, distribuindo US$ 43,7 bilhões em dividendos e realizando US$ 66,6 bilhões em recompras, reforçando o papel das grandes empresas de tecnologia na geração de valor e liquidez no mercado global de capitais.

Veja o ranking global das empresas que mais pagaram dividendos:

  1. Saudi Arabian Oil (Arábia Saudita)
  2. Novartis AG (Suíça)
  3. Roche Holding (Suíça)
  4. Microsoft (EUA)
  5. China Construction Bank Corporation (China)
  6. BHP Group (Austrália)
  7. Siemens Aktiengesellschaft (Alemanha)
  8. Exxon Mobil (EUA)
  9. Novo Nordisk (Dinamarca)
  10. TSMC  (Taiwan)
Acompanhe tudo sobre:DividendosRecompra de açõesValeBrasilEstados Unidos (EUA)

Mais de Invest

Resultado da Mega-Sena hoje: concurso 3042 sorteia R$ 164,9 milhões

SpaceX recupera US$ 327 bi em valor de mercado e se aproxima do preço do IPO

Canetas emagrecedoras impulsionam vendas, mas pressionam margens de farmácias

‘Eu não idolatro meu pai, eu o admiro’: as lições de Louise Barsi