Mercado Imobiliário

Mercado corporativo de SP movimenta mais de 10 mil metros quadrados há 8 trimestres

Escassez de grandes lajes mantém a pressão sobre preços e vacância, enquanto empresas de tecnologia, varejo e FIIs continuam movimentando o mercado

Nas regiões primárias, que englobam Berrini, Chucri Zaidan, Faria Lima, Itaim, JK, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia, a vacância média é de apenas 10,6% (Leandro Fonseca/Exame)

Nas regiões primárias, que englobam Berrini, Chucri Zaidan, Faria Lima, Itaim, JK, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia, a vacância média é de apenas 10,6% (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h42.

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo manteve uma trajetória de forte valorização e baixa vacância no segundo trimestre de 2026, com destaque para a escassez de grandes espaços disponíveis, segundo relatório da JLL. A cidade soma atualmente 5,1 milhões de metros quadrados de escritórios premium distribuídos em 264 edifícios, sendo que 60% desse estoque está concentrado nas regiões primárias.

O preço pedido médio para locação alcançou R$ 126 por metro quadrado ao mês, representando alta de 6,7% em relação ao trimestre anterior e acumulando crescimento de 32,7% desde o primeiro trimestre de 2024.

A vacância média caiu para 13,1%, menor do que os níveis registrados no início da pandemia, enquanto a absorção bruta no trimestre foi de 180 mil metros quadrados, totalizando 336 mil metros quadrados no acumulado de 2026.

Transações acima de 10 mil metros quadrados

O mercado registrou oito trimestres consecutivos com transações acima de 10 mil metros quadrados, um recorde histórico que evidencia a pressão por grandes áreas corporativas. Entre os setores que mais absorveram espaço estão varejo e e-commerce, com 31%, e financeiro, com 16%.

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) foram protagonistas nas transações de compra e venda de lajes durante o trimestre, reforçando a importância do capital institucional no mercado premium.

A Amazon registrou uma das maiores absorções neste período, ocupando 39 mil metros quadrados. O grupo Claro Brasil, do Grupo América Móvil, realizou a locação de 11,2 mil metros quadrados no edifício Quota Corporate, localizado na região da Chucri Zaidan. Já o Google absorveu 5,3 mil metros quadrados no edifício Rochaverá Corporate Towers – Torre D, enquanto a Shopee registrou 2,6 mil metros quadrados no edifício Sky Corporate.

Além das movimentações de locação, o estudo da JLL também destacou transações de compra e venda de lajes corporativas envolvendo essas empresas ou seus braços de investimento.

A XP Investimentos, por meio do fundo XP Investimentos – SC Renda Imobiliária – FII, adquiriu a Torre A do EZ Towers, totalizando uma área de 24.724 metros quadrados e um valor de R$ 293.844.864. O grupo América Móvil também atuou como comprador, adquirindo 2.278 metros quadrados no complexo iTower – Iguatemi Alphaville, em uma operação avaliada em R$ 20.509.200.

Escassez de lajes

Um dos pontos que mais chama atenção é a redução drástica da oferta de lajes corporativas acima de 10 mil metros quadrados. Desde o início de 2024, o número de edifícios com grandes áreas disponíveis caiu de 17 para apenas 7, e regiões nobres como Faria Lima, Itaim, Nova Faria Lima e Paulista já não apresentam mais espaços nesse patamar.

Nas regiões primárias, que englobam Berrini, Chucri Zaidan, Faria Lima, Itaim, JK, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia, a vacância média é de apenas 10,6%, com preço médio de R$ 176 por metro quadrado.

A Rebouças registrou vacância zero, enquanto a Chucri Zaidan liderou a absorção líquida entre essas áreas. Já na Barra Funda, a redução da vacância nas regiões alternativas atingiu 8,7 pontos percentuais, mostrando que o mercado corporativo premium se mantém aquecido mesmo fora das áreas mais tradicionais.

Durante o trimestre, foram entregues 53 mil metros quadrados de novos escritórios, incluindo os edifícios Biosquare e Éden Corporate.

Até 2029, estão previstos 449 mil metros quadrados de novo estoque, sendo que 66% devem ser entregues ainda em 2026, com 77% da área já pré-locada, sinalizando demanda antecipada.

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