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Ibovespa fecha com alta de 1% após divulgação do IPCA-15; dólar cai para R$ 5,49

Alta do índice reflete a surpresa positiva com o IPCA-15 de junho e o cenário externo mais favorável

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 26 de junho de 2025 às 12h04.

Última atualização em 26 de junho de 2025 às 17h28.

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, 26. O índice subiu 0,99%, aos 137.113 pontos depois da divulgação do IPCA-15 de junho, que avançou 0,26%, abaixo da estimativa do mercado (0,30%).

O avanço acompanha o otimismo dos mercados internacionais e a leitura mais branda do IPCA-15 de junho. No câmbio, o dólar opera, no mesmo horário, em baixa de 1,22%, cotado a R$ 5,496, refletindo o alívio nas tensões geopolíticas.

Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street fecharam no positivo, refletindo o alívio nas tensões geopolíticas. O Nasdaq 100 avançou 0,97% , o Dow Jones ganhou 0,94% e o S&P 500 subiu 0,80%, a caminho da máxima histórica.

Ibovespa hoje

  • IBOV: +0,99%, aos 137.113 pontos
  • Dólar hoje: -1,02%, cotado a R$ 5,4986

IPCA-15 e Relatório de Política Monetária

A quinta-feira, 26, começou com uma série de indicadores econômicos no Brasil. O destaque foi a divulgação do IPCA-15 de junho, que subiu 0,26%, abaixo da expectativa do mercado (0,30%) e inferior ao avanço de 0,36% registrado em maio. Em 12 meses, a prévia da inflação oficial acumula alta de 5,27%, com variação de 3,06% no ano. Os dados foram divulgados pelo IBGE.

“O resultado de junho reafirma a leitura de maio, quando a inflação passou a dar sinais mais claros de que o período recente de pressões possa estar perto do fim”, afirma André Valério, economista sênior do Inter. Segundo ele, medidas como o núcleo da inflação e a difusão recuaram, e itens menos sensíveis à taxa de juros, como alimentos e combustíveis, foram os principais responsáveis pela desaceleração.

“Ainda devemos encerrar o ano com a inflação acima do teto da meta, mais próxima de 5%, com o Banco Central mantendo a política monetária em terreno contracionista durante todo o ano”, afirma Valério.

Já o Índice de Confiança da Indústria, medido pela FGV, recuou 2,1 pontos em junho, para 96,8 pontos, a maior queda no ano. O resultado reflete uma percepção mais negativa em relação à demanda e maior cautela para o segundo semestre, segundo avaliação do economista Stéfano Pacini, do FGV Ibre.

Também foi publicado nesta manhã o Relatório de Política Monetária do Banco Central, que traz sinalizações importantes sobre o cenário fiscal e as perspectivas para a atividade. O documento destaca que a expectativa do mercado continua sendo de déficits primários e crescimento da dívida pública, com execução orçamentária "desafiadora nos próximos anos".

O BC revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB em 2025, de 1,9% para 2,1%, com destaque para a retomada do consumo das famílias e a expansão da agropecuária no primeiro trimestre. O relatório também destaca o mercado de trabalho aquecido, com taxa de desocupação em mínimos históricos e aumento da renda, embora em ritmo mais moderado.

Indicadores dos EUA

A economia dos Estados Unidos trouxe uma série de dados mistos nesta quinta-feira, 26. O destaque negativo foi a terceira e última leitura do PIB do primeiro trimestre, que apontou uma contração de 0,5% em base anualizada. O número veio pior do que o recuo de 0,2% estimado anteriormente e frustrou a expectativa do mercado, que também projetava retração de 0,2%. A queda foi puxada por um aumento nas importações e uma redução nos gastos do governo, apesar de avanços nos investimentos e no consumo das famílias.

No mercado de trabalho, os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram para 236 mil, uma redução de 10 mil em relação à semana anterior. O número ficou abaixo da projeção de 245 mil e sinaliza resiliência do emprego, embora analistas alertem que a taxa de desemprego pode subir em junho, já que demitidos têm levado mais tempo para se recolocar. A proximidade com feriados e o início das férias escolares contribuem para a volatilidade dos dados.

Já a balança comercial de bens registrou um déficit de US$ 96,6 bilhões em maio, uma alta de 11,1% em relação ao mês anterior e acima da expectativa de US$ 88,5 bilhões. As exportações caíram US$ 9,7 bilhões, para US$ 179,2 bilhões, enquanto as importações recuaram levemente, para US$ 275,8 bilhões. O resultado reforça preocupações com o impacto das tarifas comerciais e a desaceleração da demanda global.

No radar hoje

No campo político, a derrubada no Congresso das medidas que aumentavam o IOF representa uma derrota simbólica para o governo Lula e reacende discussões sobre o equilíbrio fiscal.

O mercado também repercutiu os dados de arrecadação federal e o resultado primário do Governo Central, que somou R$ 230,152 bilhões em maio, representando um avanço real de 7,66% frente ao mesmo mês de 2024, já descontada a inflação. Esse foi o maior valor arrecadado em um mês de maio desde o início da série histórica, segundo informou a Receita Federal nesta quinta-feira, 26.

Entre janeiro e maio de 2025, a receita total acumulada foi de R$ 1,138 trilhão, o que representa um crescimento real de 3,95% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Também nesse caso, trata-se do melhor resultado para o período desde o ano 2000.

Ao longo do dia, os investidores acompanharam os discursos de dirigentes do Federal Reserve, com falas de Michael Barr e Neel Kashkari.

Ainda em Washington, o presidente Donald Trump segue pressionando a autoridade monetária. Segundo reportagem do Wall Street Journal, Trump cogita divulgar o nome que irá substituir Jerome Powell no comando do Fed até setembro.

Mercados internacionais

As bolsas da Ásia encerraram o pregão sem direção única, com destaque para o Japão. O índice Nikkei subiu 1,65% e fechou no maior nível em cinco meses, impulsionado por ações de tecnologia. Já o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,92%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,64%. Na China, o CSI 300 teve queda de 0,35%.

Na Europa, as bolsas fecharam mistas. O DAX, da Alemanha, subiu 0,64%, enquanto o CAC 40, da França, recuou 0,01%. O FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,19%. O índice europeu Stoxx 600 registrou leve alta de 0,09%.

No mercado de energia, os preços do petróleo operaram em leve alta após os estoques dos Estados Unidos registrarem queda acima do esperado. O recuo de 5,8 milhões de barris na última semana, segundo a Agência de Informação de Energia (EIA), reforça sinais de demanda aquecida no país. O fornecimento de gasolina, usado como referência de consumo, atingiu o maior nível desde dezembro de 2021.

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