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Ibovespa e dólar rondam estabilidade em dia de Copom, Fed e risco de greve

No cenário doméstico, a possibilidade de uma greve de caminhoneiros adiciona um elemento extra de cautela

O que move os mercados: o comportamento dos mercados nesta quarta deve ser guiado principalmente pelas decisões de política monetária (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

O que move os mercados: o comportamento dos mercados nesta quarta deve ser guiado principalmente pelas decisões de política monetária (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 18 de março de 2026 às 13h40.

O Ibovespa passou a rondar a estabilidade no início da tarde desta quarta-feira, 18, refletindo a cautela dos investidores em um dia marcado pela chamada “super quarta”, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, e por um novo aumento das tensões no cenário internacional.

No início do dia, o índice chegou a oscilar entre leves perdas e ganhos, mas ganhou volatilidade ao longo da manhã diante da disparada dos preços do petróleo. A alta da commodity se intensificou após o Irã ameaçar instalações petrolíferas no Oriente Médio, em reação a ataques dos Estados Unidos e de Israel ao maior campo de processamento de gás do país.

O movimento elevou a aversão a risco nos mercados globais e reforçou preocupações com pressões inflacionárias, o que pode influenciar o tom das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed) nesta tarde. Às 13h15, o Ibovespa registrava leve queda de 0,03%, aos 180.347 pontos, após duas sessões consecutivas de alta.

No mesmo horário, o Brent, referência global, subia 5,02%, a US$ 108,61 o barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 2,29%, a US$ 98,41 o barril.

No câmbio, o dólar à vista também operava próximo da estabilidade frente ao real no início da tarde, após oscilações ao longo do dia. A moeda americana chegou a bater na máxima de R$ 5,2313 e na mínima de R$ 5,1853. Às 13h15, recuava 0,05%, cotada a R$ 5,19.

Apesar da leve queda frente ao real, o dólar exibia valorização no exterior, sustentado tanto pelas preocupações com a inflação diante da nova alta do petróleo quanto por dados de preços mais fortes nos Estados Unidos. No índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,25%, aos 99,81 pontos.

O que esperar das decisões de juros nos EUA e no Brasil?

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o comportamento dos mercados nesta quarta deve ser guiado principalmente pelas decisões de política monetária. No Brasil, o foco está na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto, no exterior, as atenções se voltam ao Federal Reserve.

A expectativa de corte da taxa básica de juros no Brasil ainda divide o mercado entre uma redução de 0,25 e 0,50 ponto percentual, o que tende a aumentar a volatilidade em setores mais sensíveis aos juros, como bancos e varejo.

Nos Estados Unidos, o consenso aponta para a manutenção das taxas na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas o tom do comunicado e a coletiva de Jerome Powell serão determinantes para sinalizar o ritmo futuro de cortes.

Além das decisões de juros, dados de inflação no exterior, como índice de preços ao produtor nos EUA, (PPI, na sigla em inglês) também estão no radar e podem influenciar as curvas de juros globais e o apetite por risco em mercados emergentes como o Brasil.

O indicador avançou 0,7% em fevereiro ate janeiro, após uma alta de 0,5% no mês anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento do Trabalho do país. O resultado ficou acima da estimativa média dos analistas, que esperavam uma alta de 0,3%.

Greve dos caminhoneiros no radar

No cenário doméstico, a possibilidade de uma greve de caminhoneiros adiciona um elemento extra de cautela. Notícias sobre uma eventual paralisação ganharam força na véspera e elevaram a percepção de risco, com preocupações sobre impactos na inflação, no câmbio e na curva de juros.

O governo federal tenta conter a mobilização. O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que será apresentado um pacote de medidas para reforçar o cumprimento do preço mínimo do frete, previsto na Lei 13.703/2018. A iniciativa, conduzida em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, prevê intensificação da fiscalização e responsabilização de agentes que descumprirem a tabela.

A mobilização da categoria, no entanto, segue em expansão, com assembleias recentes — incluindo uma no Porto de Santos — e adesão crescente de motoristas autônomos e profissionais vinculados a empresas, mesmo sem uma coordenação nacional unificada.

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