Ibovespa retoma rali: Petrobras é exceção e pesa sobre o índice (Germano Lüders/Exame)
Editor de Invest
Publicado em 8 de abril de 2026 às 12h40.
As ações da Petrobras impactam o desempenho do Ibovespa de forma negativa nesta quarta-feira, 8. Os papéis da estatal de petróleo respondem à forte queda da matéria-prima no mercado internacional após o anúncio de uma trégua entre Estados Unidos e Irã, a uma Guerra que tinha acabado de completar cinco semanas. O índice de referência do mercado acionário brasileiro, contudo, continua em alta relevante, ainda que suba menos do que as bolsas em Nova York.
Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 2%, aos 192.016 pontos. No mesmo horário, as ações PETR4 (preferenciais, de maior liquidez) e PETR3 (ordinárias) caíam 5,6% e 6,5%, respectivamente. No início da tarde, as agências internacionais noticiaram que o Irã teria voltado a endurecer bloqueios no Estreito de Ormuz, com novos episódios de bombardeios entre Israel e Líbano. Ainda assim, o barril do Brent seguia em baixa, recuando mais de 13%, negociado próximo dos US$ 95. O WTI, petróleo americano, caía 16%.
Nos primeiros minutos de negociações, o Ibovespa chegou a bater um novo recorde intradiária, superando os 193 mil pontos. Porém, os ganhos foram reduzidos quando as ações da Petrobras saíram de leilão e começaram a ser negociadas em forte queda.
O presidente americano Donald Trump aceitou o cessar-fogo proposto pelo Paquistão na noite de ontem. No começo da terça-feira, o republicano escreveu: "uma civilização morrerá hoje". A ameaça, postada na rede social Truth Social, era o ultimato para que o Irã reabrisse o estreito de Ormuz até as 21h de ontem (pelo horário de Brasília). A trégua foi estabelecida a menos de duas horas do final desse prazo.
No mesmo horário em que o Ibovespa reduzia ganhos, o dólar se afastava das mínimas do dia, mas seguia em queda, recuando 0,97%, a R$ 5,10.
As bolsas em Nova York também operam com fortes ganhos, com destaque para ações de tecnologia. Por outro lados, os papéis de petrolíferas como Exxon Mobil e Chevron recuavam forte.
O Nasdaq Composite subia 2,63%, enquanto Dow Jones e S&P 500 avançavam, respectivamente, 2,48% e 2,23%.
Na agenda do dia, o destaque é a ata da ultima reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve. O Banco Central americano manteve as taxas de juros inalteradas no encontro do mês passado.
As bolsas europeias dispararam nesta quarta-feira com o alívio provocado pelo cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. O Stoxx 600 subia fechou em alta de 3,68% com montadoras, mineradoras e ações de viagens liderando os ganhos.
A exceção ficou com o setor de energia. A Shell, primeira grande petrolífera a reportar resultados desde o início do conflito, apresentou um resultado misto: de um lado, lucrou mais com a compra e venda de petróleo no mercado — a chamada operação de trading, que se beneficia da alta dos preços causada pela guerra.
Porém, a companhia apresentou uma queda na produção de GNL, o gás natural liquefeito — versão resfriada do gás que permite seu transporte por navios entre continentes. Com operações no Oriente Médio diretamente afetadas pelos combates, a produção recuou de 948 mil para o intervalo entre 880 mil e 920 mil barris no primeiro trimestre de 2026. As ações caíam mais de 5%.
O alívio geopolítico também abriu espaço para um rali generalizado na Ásia. A Coreia do Sul liderou os ganhos: o Kospi, índice que teve negociações suspensas mais de uma vez em março, disparou quase 7%, fechando aos 5.872 pontos. O Kosdaq, índice coreano de empresas menores, avançou 5,12%. No Japão, o Nikkei 225 subiu 5,39%, encerrando o pregão aos 56.308 pontos — um dos maiores saltos do índice em meses recentes.
Na China, o CSI 300 fechou em alta de 3,49%, e a bolsa de Hong Kong, o Hang Seng, subia cerca de 2,95% após retomar os negócios na volta do feriado. A Índia também entrou no embalo: o Nifty 50 avançou 3,65%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 2,55%.