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Ibovespa cai e dólar sobe com aversão global ao risco e crise no STF no radar

Vale e bancos caem, enquanto Petrobras sobe com disparada do petróleo após ataque na Arábia Saudita

Ibovespa: índice cai nesta segunda-feira em meio à aversão ao risco global com a desconfiança dos investidores sobre as ações de IA (d3sign/Getty Images)

Ibovespa: índice cai nesta segunda-feira em meio à aversão ao risco global com a desconfiança dos investidores sobre as ações de IA (d3sign/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 11h13.

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O Ibovespa opera em forte queda nesta segunda-feira, 14, pressionado pela aversão ao risco no exterior em meio à disparada do petróleo e à piora do sentimento sobre ações ligadas à inteligência artificial (IA). Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 1,43%, aos 184.529,32 pontos. O dólar comercial, por sua vez, subia 1,04%, cotado a R$ 5,178.

A Vale (VALE3) cai 2,43%, enquanto os papéis da Petrobras operam na contramão do índice, com alta de 0,81% (PETR3) e 0,82% (PETR4), beneficiados pela valorização do petróleo. A Prio (PRIO3) também avança 0,64%, enquanto Brava Energia (BRAV3) sobe 0,44%.

Apesar de favorecer as ações da Petrobras, a alta do petróleo em ritmo mais intenso pesa sobre os papéis ligados à economia doméstica. Ao mesmo tempo, as incertezas em torno das eleições e os desdobramentos do caso Master aumentam a cautela dos investidores.

No setor de utilittes, por exemplo, a maior parte das ações opera em baixa, como Axia Energia (AXIA3), que cai 0,97%, e Sabesp (SBSP3), com recuo de 2,74%.

O setor financeiro pesa sobre o índice, com Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 2,34%, Bradesco (BBDC4), -2,31%, Banco do Brasil (BBAS3), -2,18%, e B3 (B3SA3), -2,14%. Entre os poucos destaques positivos, Ambev (ABEV3) sobe 1,15% e BB Seguridade (BBSE3) avança 0,38%.

A MRV (MRVE3) também retrai 4,36%, enquanto Cury (CURY3) cai 3,68%, CSN (CSNA3) perde 3,60%, Gerdau (GGBR4) desvaloriza 3,49% e Cyrela (CYRE3) cede 3,47%. CSN Mineração (CMIN3), Vamos (VAMO3) e Natura (NATU3) também estão entre as maiores baixas do pregão.

Boletim Focus reduz previsão de inflação e PIB para 2026

No cenário doméstico, o mercado reduziu pela terceira semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado hoje, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) passou de 5% para 4,90%. Para 2027, a previsão subiu de 4,29% para 4,30%.

Já a projeção para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano. Para 2027, a estimativa continua em 12%, enquanto as previsões para 2028 e 2029 seguem em 10,50% e 10%, respectivamente. Já a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 caiu de 1,93% para 1,89%.

O mercado também manteve em R$ 5,20 a previsão para o dólar no fim deste ano, na 13ª semana consecutiva de estabilidade. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28.

Petróleo sobe após ataque interromper oleoduto da Arábia Saudita

O petróleo avança após novos ataques contra a infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita, que levaram o país a interromper o fluxo de um importante oleoduto.

Parâmetro global, o Brent avançava 3,96%, a US$ 108,75 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI, referência de preços nos Estados Unidos) subia 3,72%, a US$ 103,77.

A alta da commodity aumenta as preocupações com inflação e mantém os investidores cautelosos antes das decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve (Fed), banco central americano, na chamada super quarta.

A interrupção aumenta a preocupação com a oferta global de petróleo, em um momento em que o mercado já enfrenta restrições provocadas pelo conflito envolvendo Irã e EUA. Uma reunião entre Irã e países árabes do Golfo, prevista para discutir a situação no Estreito de Ormuz, também foi adiada.

Para o estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati, o movimento dos mercados é explicado tanto pela interrupção do oleoduto saudita quanto pela cautela em relação ao avanço da inteligência artificial.

"O primeiro, diversos CEOs de empresas ligadas a AI (OpenAI, Anthropic, XAI…) concordaram que talvez seja melhor desacelerar o ritmo da evolução das inteligências, trazendo preocupações com a segurança. Apesar de reforçarem que desacelerar não é parar, diversas ações ligadas a AI cedem na manhã de hoje. A Nvidia (NVDA), por exemplo, cede 2,4% no momento", afirmou Benati.

Ações de tecnologia caem com alerta sobre riscos da IA

Nos EUA, os índices acionários estão em baixa, pressionados principalmente pelas empresas de tecnologia. O S&P 500 recua 0,7%, enquanto o Nasdaq cai 1,2% e o Dow Jones perde 0,3%.

A Nvidia cai cerca de 3%, enquanto Broadcom, Advanced Micro Devices (AMD), Intel e Marvell Technology também têm perdas.

Bolsas europeias recuam com petróleo e cautela antes dos juros

Na Europa, o cenário é majoritariamente negativo. O Stoxx 600 recua 0,27%, enquanto o DAX, de Frankfurt, cai 0,55%, e o CAC 40, de Paris, perde 0,79%. O FTSE MIB, de Milão, desvaloriza 1,52%. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, avança 0,66%, apoiado pelas ações de grandes empresas de energia.

Bolsas asiáticas fecham em queda, com Kospi despencando 3,3%

Na Ásia, a pressão sobre as ações de tecnologia levou o Kospi, da Coreia do Sul, a despencar 3,3%. O Nikkei 225, do Japão, recuou 0,8%, enquanto o índice de Xangai ficou praticamente estável, com baixa de 0,07%. Hong Kong avançou 0,5% e a Austrália subiu 0,10%.

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