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Ibovespa cai com balanços enquanto mercado digere nova Selic

Smart Fit e Brava Energia lideram perdas após resultados abaixo das expectativas, segundo especialista

Mercados globais: investidores acompanham balanços e tensões no Oriente Médio. (Germano Lüders/Exame)

Mercados globais: investidores acompanham balanços e tensões no Oriente Médio. (Germano Lüders/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 11h22.

Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 13h27.

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O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, 6, um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Por volta das 13h (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,93%, aos 176 mil pontos. O dólar comercial caía 0,39%, cotado a R$ 5,107.

Entre as ações de maior peso do índice, a Vale (VALE3) recuava 1,03%, enquanto a Petrobras (PETR4) avançava 0,83%. O pregão é marcado por desempenho misto entre as blue chips, de maior peso, com investidores repercutindo balanços corporativos e os efeitos da decisão de juros no Brasil.

Smart Fit e Brava Energia lideram perdas

Smart Fit (SMFT3) recuava 8,22%. A rede de academias divulgou na quarta-feira, 5, resultados do segundo trimestre com receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em linha com as projeções, mas o lucro líquido recorrente ficou abaixo das expectativas, pressionado por despesas financeiras maiores.

A Brava Energia (BRAV3) também aparecia entre as maiores quedas, com baixa de 3,40%. A companhia divulgou balanço, no mesmo dia em que a colombiana Ecopetrol venceu o leilão para assumir o controle da empresa, com aquisição de ações a R$ 23. A receita líquida e o Ebitda ajustado ficaram abaixo das estimativas do mercado, apesar de o lucro superar as projeções.

Bancos operam em sentidos opostos após balanços

Entre os bancos, o Bradesco (BBDC4) caía 1,77% e o Banco do Brasil (BBAS3) recuava 3,04%. A queda do Bradesco ocorre mesmo após o banco divulgar o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e retorno sobre o patrimônio líquido de 16,2%.

A pressão sobre os papéis parece estar mais ligada à assembleia marcada para o início de setembro, que decidirá sobre o aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado pela instituição, de acordo com o head de análise da GTF Capital, Artur Horta.

Itaú (ITUB4) operava estável, com leve alta de 0,01%, enquanto Santander (SANB11) subia 0,03%.

E a decisão da Selic impacta o mercado hoje?

Para o CEO da Friggi & Secco, Alberto Friggi, a reação dos ativos reflete o fato de que o corte de juros já estava amplamente precificado pelos investidores. "A Selic em 14% já estava praticamente precificada. O que faltou ao investidor foi uma indicação de que setembro traria automaticamente o 5º corte consecutivo", disse.

Agora a dúvida sobre os próximos passos do Banco Central limita o impacto positivo da redução da taxa básica sobre as ações. "Para a Bolsa, isso faz diferença porque o valor das empresas incorpora a expectativa de juros de vários meses e anos à frente. Se o ritmo de redução da Selic se torna menos previsível, a queda imediata de 0,25 ponto tem impacto limitado sobre essa conta", explicou Friggi.

Na mesma linha, o analista do AGF, Pedro Galdi, avaliou que o cenário externo pode ajudar a limitar a pressão sobre a B3. "As bolsas de valores no exterior operam em recuperação e por aqui não deve ser diferente. O Ibovespa deve testar 179 mil pontos. No entanto é fundamental que o fluxo financeiro melhore, já que os últimos pregões o volume tem ficado abaixo da média", pontuou.

Há movimento de indicadores no Brasil e nos EUA

No Brasil, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou, nesta manhã, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) de julho, que subiu 0,66% no mês. Com o resultado, a alta acumulada em 12 meses passou de 4,46% em junho para 5,08% em julho.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanha os pedidos semanais de seguro-desemprego, um dos principais indicadores sobre a força do mercado de trabalho americano. O dado voltou a subir levemente, mas permaneceu em nível historicamente baixo.

Petróleo sobe com expectativa sobre Ormuz

Os preços do petróleo avançam com o mercado acompanhando a possibilidade de um acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz. Uma autoridade iraniana afirmou à emissora americana MS NOW que a navegação pelo estreito não seria taxada dentro de um acordo temporário.

O West Texas Intermediate (WTI) subia 3,5%, negociado a US$ 77,89 por barril, enquanto o Brent avançava 2,53%, a US$ 77,75.

O estrategista do Deutsche Bank, Jim Reid, afirmou que o mercado já passou por "muitos falsos sinais ao longo deste conflito" e que os investidores agora aguardam mais detalhes sobre o formato final do acordo, de acordo com a CNBC.

Bolsas internacionais

As bolsas americanas operam sem direção única, enquanto investidores avaliam novos balanços corporativos e os avanços no Oriente Médio. O S&P 500 recuava 0,25%, o Nasdaq caía 0,22% e o Dow Jones avançava 0,67%.

A maioria das bolsas europeias fechou em alta, apoiadas pelo otimismo em relação à possível reabertura do Estreito de Ormuz. O Stoxx 600 subiu 0,44%, o CAC 40, de Paris, ganhou 0,35%, o FTSE MIB, de Milão, avançou 0,44%, e o DAX, de Frankfurt, recuava 0,03%. Enquanto isso, o FTSE 100, de Londres, teve queda de 0,14%.

Os mercados asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em baixa. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 4,58%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, recuou 0,93%. O CSI 300, da China continental, teve baixa de 0,15%. Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,47%.

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