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Gucci vê lucro operacional desabar 40% e margens encolherem em 2025

Queda nas vendas e perda de rentabilidade pressionam resultados da marca, enquanto Bottega Veneta se destaca dentro do grupo controlador Kering

Gucci: principal marca do grupo Kering. (Gary Hershorn/Getty Images)

Gucci: principal marca do grupo Kering. (Gary Hershorn/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 08h45.

O conglomerado francês Kering divulgou os resultados de 2025, revelando forte retração em sua principal marca, a Gucci. O lucro das operações da grife italiana, sem contar efeitos pontuais do trimestre, somou 966 milhões de euros no ano passado, queda de 40% em relação aos 1,6 bilhão de euros registrados em 2024.

O desempenho impactou a rentabilidade da marca, cuja margem operacional recorrente recuou 4,9 pontos percentuais (p.p.), para 16,1% ao fim do período. A pressão no balanço foi atribuída, principalmente, à alavancagem operacional negativa resultante da queda nas vendas de 19% na base comparável em 2025.

A Gucci, que historicamente é o maior motor de vendas do grupo Kering, continua a apresentar um desempenho abaixo do esperado sob a gestão do novo CEO, Luca de Meo. Em termos de faturamento, a marca gerou uma receita de 6 bilhões de euros em 2025 ante 7,6 bilhões de euros em 2024.

Desempenho do grupo e contexto de mercado

O impacto na Gucci ecoou por todo o grupo Kering, que encerrou o último ano com uma receita total de 14,7 bilhões de euros, apresentando uma queda de 10% na base anual.

O lucro das operações do grupo como um todo recuou 33%, atingindo 1,63 bilhão de euros, enquanto a margem operacional consolidada caiu para 11,1%. Isso sem contar efeitos pontuais do trimestre.

Fontes ouvidas pela CNBC indicam que o setor de luxo enfrentou dificuldades generalizadas nos últimos anos, após um boom de demanda pós-pandemia que levou a aumentos de preços que acabaram por afastar consumidores, somando-se à fraca demanda na China.

Já outras casas do portfólio da Kering mostraram resiliência ou sinais de melhora. A Bottega Veneta, por exemplo, viu seu resultado operacional crescer 5%, atingindo 267 milhões de euros, com uma margem operacional de 15,6%.

Já a Yves Saint Laurent reportou uma receita de 2,6 bilhões de euros e conseguiu manter uma margem operacional de 20%, graças a medidas de eficiência que compensaram a queda nas vendas.

Estratégias de reestruturação e perspectivas

Diante do que classificou como um ano que "não refletiu o potencial do grupo", o CEO Luca de Meo afirmou, no balanço divulgado ao mercado, que 2025 não foi o ano desejado pela liderança.

"Ao entrarmos em 2026, toda a equipe está totalmente comprometida (...), aprimorando o posicionamento da marca e as vendas, reconstruindo as margens e fortalecendo a geração de caixa para garantir a criação de valor sustentável a longo prazo", acrescentou de Meo.

O executivo, recrutado da indústria automotiva após recuperar a montadora Renault, assumiu o compromisso de tornar a Kering uma organização mais ágil e focada.

Entre as ações estratégicas já implementadas está a venda do segmento de beleza para a L'Oréal por 4 bilhões de euros, visando reduzir a dívida líquida e focar no negócio principal de moda.

No campo criativo, a Kering aposta na liderança de Demna como diretor artístico da Gucci para revitalizar a marca e recuperar sua desejabilidade, tendo lançado a primeira coleção, "La Famiglia", no ano passado.

De acordo com o analista da Bernstein, Luca Solca, citado pela CNBC, os resultados apontam para uma leve melhora em todo o portfólio, mas o debate central entre investidores agora foca na capacidade de marcas como a Gucci retornarem ao crescimento em 2026.

A companhia planeja apresentar um roteiro detalhado para essa nova fase de crescimento sustentável durante o seu Capital Markets Day (dia do mercado de capitais, na tradução do inglês), agendado para abril de 2026.

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