Dólar: pressões externas e internas desvalorizam moeda
Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17h06.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 17h07.
Não dá para dizer que foi exatamente uma trégua. Apesar de ter resistido a mais uma baixa, depois de fechar no menor patamar desde novembro do ano passado, nos negócios de ontem, o dólar avançou pouco nesta sexta-feira, 23. Uma das pressões sobre a moeda americana é externa. Investidores voltaram a temer a continuidade de tensões geopolíticas com o tema Groenlândia voltando ao foco. Hoje, dirigentes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), reuniram-se com autoridades da Dinamarca para falar sobre o interesse dos Estados Unidos em anexar o território no Ártico, rico em matérias-primas.
Por outro lado, a entrada de capital estrangeiro na bolsa é outro detrator do dólar. O clima de euforia no mercado de ações continua, com o Ibovespa rompendo os 178 mil pontos pela primeira vez na história e caminhando para um quarto recorde consecutivo de fechamento.
"O fundamento que sustenta o movimento de investidores, desde o ano passado, é a busca por diversificação, com redução de exposição ao dólar e a Treasuries. Isso se reflete na valorização do ouro e na melhora de desempenho de ações e moedas de países emergentes. Há muitos bancos e casas de research internacionais recomendando a compra nesses mercados, inclusive do Brasil", afirma Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Banco Travelex.
Ele explica que o real teve desvalorização mais forte do que outras moedas emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno, moedas bastante correlacionadas com a brasileira.
"Em dezembro, houve uma pressão maior por conta das remessas de dividendos, o que levou o real a perder valor frente a essas moedas, e essa defasagem ainda não foi totalmente corrigida. Por isso, ainda existe um fator adicional que sustenta uma possível valorização do real, justamente por esse atraso em relação a outras moedas emergentes."
O dólar comercial fechou com uma ligeira alta de 0,05%, a R$ 5,286 na compra e R$ 5,287 na venda. Na semana, a moeda teve saldo negativo, acumulando 1,6%.