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Dólar fecha em queda e interrompe três altas, apesar de avanço no exterior

A moeda americana recuou 0,25%, cotada a R$ 5,227, mesmo com avanço da divisa no exterior

Dólar cai frente ao real: movimento ocorreu na contramão do exterior, onde prevaleceu um ambiente de maior aversão ao risco diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã ( user3222645/Freepik)

Dólar cai frente ao real: movimento ocorreu na contramão do exterior, onde prevaleceu um ambiente de maior aversão ao risco diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã ( user3222645/Freepik)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 17h27.

O dólar à vista encerrou as negociações desta quinta-feira, 19, em queda frente ao real, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. A moeda americana recuou 0,25%, cotada a R$ 5,227.

O movimento ocorreu na contramão do exterior, onde prevaleceu um ambiente de maior aversão ao risco diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Às 17h08, o índice DXY — que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — subia 0,16%, aos 97,90 pontos.

Apesar da leve alta, Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, avalia que a oscilação do câmbio no Brasil foi marginal e pouco relacionada a fatores domésticos. "Esse movimento do dólar não tem muito a ver com o local aqui no Brasil. A queda é bem pequena, poderia estar um pouco para cima também que não seria grande coisa", afirmou.

Para ele, o mercado brasileiro tem feito menos preço do que os acontecimentos no exterior. O pano de fundo global envolve o aumento da retórica militar por parte do presidente Donald Trump contra Teerã e a expectativa, divulgada por veículos internacionais, de que os EUA possam iniciar hostilidades nos próximos dias.

Há relatos de mobilização de forças militares americanas no Oriente Médio, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã realizou exercícios no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo.

A tensão impulsionou as cotações da commodity. O contrato do Brent para abril fechou em alta de 1,86%, a US$ 71,66 por barril, na ICE, enquanto o WTI para março avançou 1,90%, a US$ 66,43 por barril, na Nymex, atingindo o maior nível desde agosto de 2025. Dados também mostraram queda de 9,014 milhões de barris nos estoques de petróleo dos EUA na semana passada, reforçando o movimento de alta.

Para Viotto, a valorização do petróleo tende a favorecer moedas de países exportadores, como o Brasil, o que pode ter dado algum suporte pontual ao real. Ainda assim, ele pondera que esse efeito é relativo.

"Se o cenário evoluir para um conflito mais longo no Oriente Médio, a aversão ao risco pode aumentar e levar investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como os Treasuries, o dólar, o franco suíço e o iene. Por enquanto, o mercado está atento a esse risco lá fora, e o real tem andado praticamente de lado — com uma leve valorização hoje, mas nada muito específico", disse o chefe de banking da EQI Investimentos.

Enquanto o dólar sobe no exterior, o ouro recua

No mercado de metais, o ouro, tradicional ativo de proteção, não acompanhou integralmente o aumento das tensões. Os contratos futuros com entrega para abril caíram 0,24% na Comex, a US$ 4.997,4 por onça-troy, após falharem novamente em sustentar a marca de US$ 5 mil.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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