Dólar: movimento da moeda americana ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação ( user3222645/Freepik)
Repórter de Mercados
Publicado em 3 de março de 2026 às 11h15.
O dólar opera em forte alta nesta terça-feira, 3, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Investidores buscam proteção diante do risco de interrupção no fluxo global de petróleo. Às 11h15 (horário de Brasília), a moeda americana subia 2,11%, cotada a R$ 5,274.
O movimento ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação, em meio ao conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. A região é rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos diariamente no mundo passam pelo estreito.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar embarcações que tentarem atravessar o trecho, o que elevou o temor de interrupção no abastecimento global. Os preços do petróleo reagiram imediatamente. Às 8h45, o barril do Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 84,31, alta de 8% no dia.
A escalada no conflito amplia a aversão ao risco e fortalece o dólar globalmente, movimento que atinge moedas emergentes como o real.
No cenário doméstico, investidores ainda digerem o PIB do quarto trimestre, que veio em linha com a expectativa, com alta de 0,1%, fechando o ano em 2,3%.
“O cenário pelo lado da demanda permanece apropriado para o início do ciclo de redução na Selic na próxima reunião do Copom. A alta do petróleo pode trazer algum incômodo, com maior risco no cenário externo, mas não tira o espaço para o início dos cortes no ritmo de 50 bps”, opina Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter.
Na segunda, o mercado já havia reagido ao conflito, mas em direções distintas. O dólar fechou em alta de 0,60%, a R$ 5,164, após tocar R$ 5,215 na máxima do dia. Ao longo da tarde, a moeda perdeu força e reduziu parte dos ganhos.