Ações da CVC: papéis registram forte queda um dia após a companhia anunciar uma troca na presidência-executiva (CVC/Divulgação)
Repórter
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 15h18.
Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 18h03.
As ações da CVC registram forte queda na bolsa nesta sexta-feira, 16, um dia após a companhia anunciar uma troca na presidência-executiva. Por volta das 14h, os papéis chegaram a recuar 22,2%, cotados a R$ 2,10, enquanto o Ibovespa caía 0,65%. Mais tarde, às 14h47, a queda era menor, mas ainda expressiva: baixa de 16,30%, com a ação negociada a R$ 2,26.
Na noite de quinta, 15, a CVC informou que o conselho de administração aprovou a indicação de Fabio Mader como novo presidente-executivo, no lugar de Fabio Godinho. Godinho havia sido nomeado para o cargo em 2023 com a missão de conduzir a reestruturação da companhia.
Segundo a empresa, Fabio Mader possui mais de 20 anos de experiência no setor de turismo, sendo cerca de 15 anos na própria CVC.
Em fato relevante, a companhia afirmou que, nos últimos anos, o executivo esteve diretamente à frente de agendas centrais da transformação da empresa, o que o credenciou para assumir a presidência. Mader ocupava, até então, o cargo de vice-presidente de Produtos e Gestão de Receitas.
Em relatório, analistas do Santander avaliaram a mudança como positiva e alinhada ao momento atual da companhia. De acordo com o banco, a nomeação marca a transição de uma fase de reestruturação para um novo ciclo focado em execução, rentabilidade e crescimento.
O Santander destaca ainda que a estratégia deve priorizar crescimento com maior lucratividade e o fortalecimento do balanço, com redução da alavancagem.
O banco ressalta o histórico de Fabio Mader no setor e dentro da própria CVC, além de sua atuação em melhorias de produtos nos últimos anos. Apesar da queda dos papéis hoje, a instituição diz observar a mudança como "natural, sem impacto estrutural relevante, com expectativa de reação neutra do mercado no curto prazo".
"O Sr. Godinho deixa a empresa após desempenhar um papel fundamental na liderança da recuperação da empresa após o período desafiador durante a pandemia. Consideramos essa mudança um próximo passo natural na estratégia existente, e não uma mudança significativa; portanto, esperamos uma reação neutra do mercado ao anúncio na sessão de negociação", afirmou o banco no documento.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, observa que a forte reação negativa do mercado às ações da CVC não está relacionada a uma rejeição ao novo CEO, considerado um executivo qualificado, mas sim ao momento em que a troca foi anunciada.
Ele lembra que companhia já enfrenta um período prolongado de estresse desde a pandemia, com desempenho fraco no pós-crise, o que torna o papel mais sensível a qualquer sinal de instabilidade.
As ações estão na lista das maiores quedas desde a pandemia, que considera empresas com volume financeiro médio diário superior a R$ 1 milhão dia nos últimos 30 dias. Nesse cenário, a CVC já havia caído 92,63% até setembro de 2025, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria.
"As ações da CVC tinham um desempenho muito bom até pandemia, após esse período o papel está relativamente sofrido, então o mercado está reagindo ao timing. O mercado gosta de estabilidade e previsibilidade. Todo sinal de instabilidade gera um ruído, e aí nesse caso está sendo isso", afirmou Lopes.