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Crise no Irã muda cenário e desafia novo presidente do Fed

Guerra favorece uma eventual alta dos juros, em um cenário em que a economia dos EUA ainda cresce e os preços seguem pressionados, segundo fontes consultadas pela Barron's

Kevin Warsh: novo presidente do Fed. (Tierney L. Cross/Bloomberg)

Kevin Warsh: novo presidente do Fed. (Tierney L. Cross/Bloomberg)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 4 de maio de 2026 às 08h36.

A chegada de Kevin Warsh ao comando do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), no próximo dia 15, em meio à guerra no Irã, põe em cheque os cenários para os juros e para a inflação.

O novo presidente foi indicado pelo republicano Donald Trump, que pressionava por juros baixos enquanto tecia duras críticas a Jerome Powell e a política monetária da instituição sob sua tutela.

Só que, com o conflito no Oriente Médio, tudo muda de sentido. Os preços do petróleo estão subindo e o risco de recessão global aumenta com a incerteza sobre quando se dará o fim do conflito entre EUA, Irã e Israel.

Para o Fed, o cenário favorece uma eventual alta dos juros, em um cenário em que a economia do país ainda cresce e os preços seguem pressionados, segundo fontes consultadas pelo site Barron's.

Divisão aumenta incerteza

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês), na quarta-feira, 29, a taxa básica foi mantida entre 3,50% e 3,75%, como esperado, mas a decisão não foi unânime.

A presidente do Fed de Dallas, Lori Logan, vê que o próximo movimento da taxa pode ser tanto de alta quanto de queda, dependendo de como se dará a inflação e o mercado de trabalho.

Powell deve, ainda, continuar no Conselho de Governadores mesmo depois de deixar a presidência. Ele seguirá votando nas decisões, ainda que com atuação mais discreta.

No governo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse em abril que o Fed deveria "esperar para ver" como as tensões geopolíticas evoluem antes de mexer nos juros, reconhecendo, porém, que cortes seguem no radar.

Bancos centrais mantêm juros

O Banco Central Europeu (BCE) manteve o patamar dos juros na última reunião e sinalizou que os riscos aumentaram tanto para a inflação quanto para o crescimento.

Já o Banco da Inglaterra seguiu o mesmo caminho, mas foi além ao trabalhar com três cenários diferentes para a economia, justamente por causa da incerteza trazida pela guerra.

Fontes ouvidas pela Barron's indicaram, também, que bancos centrais normalmente não reagem de imediato à alta do petróleo, como a vista nos últimos meses, mas ficam atentos.

Economia dos EUA segue forte

A economia dos EUA continua mostrando força, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo a uma taxa anual de 2% no primeiro trimestre, depois de avançar 0,5% no trimestre anterior.

E as projeções do banco Piper Sandler, divulgadas pela revista estadunidense, apontam para uma possível aceleração do crescimento, com o PIB chegando a 3%.

Ao mesmo tempo, os sinais de inflação preocupam. O índice do Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM) mostrou a Barron's que a indústria cresceu pelo quarto mês seguido em abril, com aumento adicional nos preços.

Fundador da Sri-Kumar Global Strategies, Komal Sri-Kumar destacou ao portal que o cenário já começa a favorecer uma alta de juros, ainda que pequena, em vez de um corte.

Acompanhe tudo sobre:Fed – Federal Reserve SystemJurosEstados Unidos (EUA)

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