As bolsas de valores, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, devem reagir positivamente nesta quinta-feira, 11, refletindo as expectativas de um cenário mais favorável devido às recentes decisões dos bancos centrais de ambos os páises. Por aqui, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, sem sinalizar um movimento de corte iminente, mas indicou que o ciclo de juros altos deve começar a ser revertido em 2026. A perspectiva deve ajudar a impulsionar os ativos de risco, com o Ibovespa se destacando entre os mercados emergentes.
No cenário internacional, o Federal Reserve (Fed) anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, que agora está na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. A decisão foi tomada em um contexto de inflação mais controlada e um mercado de trabalho que, embora ainda forte, mostra sinais de desaceleração. A medida também gerou otimismo nos mercados, refletido no aumento de ativos de risco, principalmente os ligados à tecnologia e ao setor de infraestrutura.
Copom e os impactos no Brasil
O Copom reafirmou sua postura de cautela, mantendo a Selic em 15% ao ano.
A decisão está ligada ao controle da inflação e ao aquecimento do mercado de trabalho, que ainda exige uma política monetária contracionista para evitar pressões inflacionárias. O BC deixou claro que a expectativa é iniciar o ciclo de corte de juros apenas em 2026, quando a inflação estiver mais alinhada com a meta.
Essa manutenção da Selic, embora esperada, tem gerado efeitos positivos no mercado local.
A perspectiva de um afrouxamento da política monetária em 2026 ajudou a fortalecer os fundos imobiliários e as ações brasileiras, com os investidores antecipando os efeitos dessa mudança. O movimento do mercado sinaliza otimismo em relação ao futuro, com o Ibovespa se beneficiando da expectativa de um cenário mais favorável para os ativos locais.
De acordo com análises de economistas, como a de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a decisão do Banco Central brasileiro de manter os juros reforça a necessidade de uma postura firme neste final de ano, enquanto consolida um ambiente mais seguro para o início do ciclo de cortes em 2026.
A Suno destaca que o BC está avaliando a desaceleração da atividade econômica e a necessidade de mais tempo até que o mercado de trabalho desacelere o suficiente para justificar a redução das taxas de juros.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a decisão já era esperada e, por ser unânime, "reforça a avaliação de que, embora a inflação cheia e as medidas subjacentes tenham arrefecido, ambas permanecem acima da meta". "O Banco Central reconheceu avanços importantes no processo desinflacionário e afirmou que a política monetária vem cumprindo seu papel, mas ainda requer um período 'bastante prolongado' em terreno contracionista para garantir a convergência", diz.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, no entanto, entende que apesar do cenário mais benigno para a inflação corrente e a projeção do BC ter mostrado nova queda "no horizonte da política monetária, 3,2%, bem próxima do centro da meta", o espaço para a discussão do início da flexibilização ainda não foi aberto, o que deve deixar o mercado dividido para a próxima reunião. "O risco político-fiscal pode ter impacto negativo na expectativa de queda da Selic em 2026 [...] um aumento na percepção de risco pode também elevar o câmbio e manter a inflação acima da meta, também resultando em um prolongamento do aperto monetário por parte do Copom", afirma.
Fed e os impactos nos EUA
Nos Estados Unidos, a decisão do Fed de reduzir os juros em 0,25 ponto percentual foi um reflexo do cenário de inflação mais moderada e uma desaceleração no mercado de trabalho, ainda que as taxas de desemprego permaneçam baixas. Apesar da redução, o Fed continua cauteloso, com algumas dissidências dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), sinalizando que as decisões futuras dependerão dos dados econômicos que serão coletados nos próximos meses.
Para os mercados globais, especialmente os emergentes, a expectativa de juros mais baixos nos EUA ajudou a aumentar o fluxo de capital para países como o Brasil. Essa dinâmica tem sido benéfica para a valorização do real e o crescimento de ativos de risco, impulsionando as bolsas locais. A perspectiva de um cenário de juros baixos e estabilidade econômica alimenta uma visão positiva para o futuro próximo.
Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, entende que há uma diferença entre as posturas do Fed e do BC.
Ele observa que o corte de juros do Fed aproxima o banco central americano do fim do ciclo de redução de juros, enquanto o Brasil, com uma Selic elevada, tem atraído mais fluxos de capital, beneficiando o câmbio e os ativos locais. Santos afirma que, com a expectativa de corte de juros nos EUA, o Brasil poderá se beneficiar de uma maior atratividade no carry trade, com investidores buscando alternativas de maior rendimento.
"Existem oportunidades vindas da compressão do valuation de ativos brasileiros, pelo desconto no preço dos ativos causado por uma Selic elevada. Com a ancoragem das expectativas em torno da convergência da inflação à meta e da possibilidade de estarmos nos aproximando do início do ciclo de cortes da Selic, o cenário é suficiente para destravar valor dos ativos locais", diz. "Esse movimento vem sendo antecipado com a alta recente do Ibovespa e o fechamento das curvas de juros, mas ainda há espaço para novas altas caso o contexto econômico permita um maior afrouxamento da política monetária", afirma.
O cenário desenhado pelas decisões do Copom e do Fed sugere que as bolsas de valores, especialmente no Brasil, podem continuar se beneficiando de um ambiente mais favorável, com a expectativa de cortes de juros nos próximos anos.
A flexibilização da política monetária no Brasil e a estabilização econômica nos EUA criam um panorama positivo para os ativos de risco. A tendência é que as bolsas possam ver um crescimento sustentado à medida que os cortes de juros se concretizem, com o mercado local reagindo positivamente a esses ajustes — e os primeiros sinais devem ser vistos já no pregão de hoje.
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