Ouro: metal precioso dispara com dólar enfraquecido (DBenitostock/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 06h06.
O ouro alcançou um novo recorde nesta sexta-feira, 23, cotado acima de US$ 4.967 por onça, e se aproxima da marca histórica de US$ 5.000. Com alta semanal de quase 8%, o rali reflete a desvalorização do dólar, instabilidades geopolíticas e sinais de fragilidade na independência do Federal Reserve (Fed).
A prata também avançou para um pico histórico, sendo negociada a pouco menos de US$ 100 por onça, enquanto a platina atingiu máximas históricas. O Bloomberg Dollar Spot Index caminha para seu pior desempenho semanal em sete meses, tornando os metais preciosos mais acessíveis globalmente.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, economistas afirmaram que o presidente Donald Trump tornou-se um fator de instabilidade cambial ao ameaçar a autonomia do banco central americano. Segundo Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, Trump acelerou um processo de enfraquecimento gradual da moeda americana, que já perdia força desde seu pico em 2015.
Rogoff avaliou que o uso de instrumentos financeiros e militares dos EUA — como a rede de pagamentos SWIFT — levou países como a China a buscar alternativas, enquanto a Europa demonstra crescente desconforto. Para ele, trata-se de uma queda de confiança nas instituições americanas, com efeitos de longo prazo.
Jeffry Frieden, professor em Harvard, destacou que parte da credibilidade de uma moeda está associada à separação entre política econômica e interesses eleitorais. Ele alertou que a atual ameaça à independência do Fed contribui diretamente para a erosão da confiança no dólar.
Para Kristin J. Forbes, professora no MIT, o ambiente inflacionário nos EUA somado à instabilidade institucional reforça a busca por alternativas. Ela destacou o avanço das stablecoins como novas opções tecnológicas para reservas de valor e lembrou que manter dólares em caixa passou a ser visto como um risco de alto custo.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, também se manifestou em defesa do banco central americano. Segundo ele, a autonomia do Fed é crítica e precisa ser preservada. A declaração ocorre em meio à tentativa de Trump de demitir a diretora do Fed Lisa Cook — tema sob análise da Suprema Corte.
O banco central da Polônia, maior comprador global de ouro em volume declarado, aprovou a aquisição de mais 150 toneladas. Já a Índia reduziu sua exposição a títulos do Tesouro dos EUA ao menor nível em cinco anos, favorecendo ativos como ouro.
Com isso, o Goldman Sachs elevou sua projeção de preço para o fim do ano, de US$ 4.900 para US$ 5.400, citando o aumento na demanda de investidores e autoridades monetárias.