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Meli manterá aposta em frete grátis apesar de pressão nas margens, diz RI

Zerar frete para produtos mais baratos aumentou frequência de compra no 'market place', diz executivo

Mercado Livre: frete grátis para produtos a partir de R$ 19 (Divulgação/Divulgação)

Mercado Livre: frete grátis para produtos a partir de R$ 19 (Divulgação/Divulgação)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 19h18.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 19h19.

O Mercado Livre segue disposto a lidar com margens apertadas por mais tempo para consolidar, no longo prazo, a aposta que fez: ampliar a base de usuários e aumentar a frequência de compras subsidiando fretes cada vez mais rápidos e sobre valores cada vez mais baixos.

“A gente começou o ano com um ritmo excepcional, crescendo a receita 45% em dólares, isso encerrando o ano no qual a gente cresceu 39% no ano anterior”, destacou Richard Catchcart, diretor de relações com investidores do Mercado Livre, referindo-se ao balanço do Meli no quarto trimestre de 2025.

“Crescer acima de 30% é um marco extraordinário para uma empresa do nosso tamanho e da nossa escala”, disse. “Somos a única companhia aberta no mundo que tem conseguido fazer isso.”

A pressão sobre as margens também aparece de forma clara no balanço. A margem líquida foi de 10,5%, um ano antes, para 6,4% no quarto trimestre de 2025. As despesas de capital, que incluem investimentos em logística e subsídios a fretes grátis somou R$ 427 milhões no quarto trimestre, um aumento de 40% em relação a um ano antes. No acumulado de 2025, a cifra chegou a R$ 1,327 bilhão, com alta de 54% em relação a 2024.

Mas o Meli, pelo visto, não tem pressa. “A gente nunca otimizou as margens para o curto prazo e nunca faremos isso, porque quando você faz isso, você começa a tomar decisões erradas”, disse Cathcart. "Estamos confortáveis com essa compressão de margem no curto prazo. Estamos vendo resultados excelentes e a gente tem confiança que com mais tempo, mais escala e a maturação desses investimentos, nossa margem pode ser muito maior no futuro."

A redução do valor mínimo do frete grátis é o maior investimento que o Mercado Livre tem feito no momento, segundo o diretor de RI.

"Os novos compradores, que entraram depois que a gente fez essa redução, estão comprando mais itens, em mais categorias e com mais retenção do que safras antigas. Então, sim, é algo que tem efeito negativo na margem do curto prazo, ao olhar esses resultados operacionais, com visão de longo prazo e pensando da maturação desses novos consumidores, ficamos super otimistas com a nossa capacidade de ter margens maiores no futuro."

O número de compradores únicos no trimestre superou a marca de 80 milhões pela primeira vez, com um recorde de 16 milhões de usuários adicionais na plataforma em relação ao ano anterior, mostrando o sucesso dos investimentos para atrair mais compradores para o ambiente online.

O balanço do Mercado Livre no 4º trimestre

O Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 599 milhões no quarto trimestre de 2025. A cifra é 6,25% menor que a registrada um ano antes. O número ficou abaixo do esperado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Os resultados da operação, por outro lado, vieram robustos e até cima das previsões do banco, com crescimento de 22% no lucro operacional, para US$ 899 milhões, e margem de 10,1%

A receita líquida da companhia cresceu 45% em bases anuais, para US$ 8,8 bilhões bilhões enquanto o volume geral de vendas (GMV) avançou 37%, para US$ 19,9 bilhões.

De acordo com o Meli, a redução do valor mínimo para o frete grátis foi determinante para o crescimento de 45% no número de itens vendidos no Brasil, principal mercado da companhia, e de 35% no GMV.

No México, o GMV cresceu 35% e o número de itens vendidos, 45%. Na Argentina o avanço foi, respectivamente, de 42% e 36%.

No braço financeiro, o Mercado Pago atingiu receita líquida de US$ 3,8 bilhões, um aumento de 51% em dólares em relação ao ano anterior. A carteira de cartões de crédito atingiu US$ 5,7 bilhões, um aumento de 114% ano contra ano.

A fintech chegou a 78 milhões de usuários ativos e US$ 19 bilhões sob gestão. A carteira de crédito quase dobrou de um ano para o outro (crescimento de 90%) e chegou a US$ 12,5 bilhões.

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