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Coca-Cola perde o gás e vendas do 4º tri frustram expectativas

Lucro da companhia ficou estável; demanda em mercados chave desaqueceu

Coca-Cola: estratégia para atravessar 2026 dependerá da capacidade de ampliar presença em segmentos de maior valor agregado. (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Coca-Cola: estratégia para atravessar 2026 dependerá da capacidade de ampliar presença em segmentos de maior valor agregado. (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 10h59.

A Coca-Cola registrou lucro líquido de US$ 2,27 bilhões, levemente acima dos US$ 2,2 bilhões em igual período de 2024. A margem operacional consolidada também subiu para 28,7%, ante 21,2% em 2024. O resultado decepcionou devido ao crescimento fraco de receitas e à estagnação no volume de vendas.

A companhia começou 2026 sob pressão após divulgar resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 abaixo das expectativas do mercado, sinalizando um cenário desafiador para este ano, na avaliação de especialistas ouvidos pela CNBC. As ações chegaram a cair cerca de 4% no pré-mercado após o anúncio, nesta terça-feira, 10.

O avanço das receita deve ser mais moderado ainda em 2026, reflexo de uma demanda enfraquecida por refrigerantes em mercados-chave, especialmente na América do Norte e na Ásia. O consumo continua pressionado pela inflação acumulada nos últimos anos, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Para sustentar margens, a Coca-Cola vem adotando sucessivos aumentos de preços, medida que compensou custos mais altos dos insumos, mas que também pesou sobre o orçamento dos consumidores norte-americanos, cada vez mais inclinados a buscar alternativas mais baratas em meio à alta de preços.

Receita abaixo do esperado e volume baixo

No quarto trimestre de 2025, a receita da Coca-Cola somou US$ 11,8 bilhões, ligeiramente abaixo da média projetada por analistas à Reuters, ao passo que, no acumulado do ano, a receita total alcançou US$ 47,9 bilhões, com alta de 2%.

O lucro por ação subiu 4% no trimestre, para US$ 0,53, enquanto o lucro ajustado avançou 6%, para US$ 0,58, pressionado parcialmente pela variação cambial, já no ano de 2025 como um todo o lucro por ação cresceu 23%, para US$ 3,04, com o indicador ajustado subindo 4%, para US$ 3,00.

O volume global de caixas vendidas avançou apenas 1% nos últimos meses de 2025, repetindo o desempenho do trimestre anterior, e permaneceu estagnado no ano, enquanto o indicador de preço/mix — que combina reajustes de preços e composição das vendas — subiu 1% no trimestre e 4% no ano.

Crescimento orgânico de receitas em 2026

Para 2026, a Coca-Cola projeta crescimento orgânico de receitas entre 4% e 5%, abaixo da expectativa média de analistas de 5,3%. O lucro por ação ajustado deve subir entre 7% e 8%, em linha com a projeção de mercado.

Em 2025, o crescimento orgânico havia sido de 5%. A empresa também prevê expansão do lucro por ação ajustado entre 7% e 8% neste ano, enquanto analistas projetavam alta próxima de 7,9%.

O comunicado da empresa ressalta que o último trimestre de 2025 apresentou avanço modesto. "As receitas líquidas cresceram 2% no trimestre, enquanto as receitas orgânicas avançaram 5%".

Estratégia para tempos de consumo fraco

Diante do enfraquecimento do apetite por refrigerantes tradicionais, a Coca-Cola tem apostado em categorias mais resilientes, como refrigerantes sem açúcar, bebidas esportivas, chás engarrafados e produtos voltados ao público preocupado com saúde e bem-estar.

A linha Fairlife, de bebidas lácteas com proteína, ganhou destaque no portfólio para atrair consumidores mais atentos à nutrição. O movimento ocorre em meio ao crescimento do uso de medicamentos para perda de peso nos EUA, que tem reduzido o consumo de bebidas açucaradas, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

O desempenho regional foi desigual: na Ásia-Pacífico, o volume ficou estagnado no quarto trimestre, enquanto na América do Norte o avanço foi modesto, sustentado principalmente por reajustes de preços.

Expectativas e planos para o futuro

Apesar do momento mais fraco, a direção da Coca-Cola mantém um tom otimista de longo prazo. O CEO James Quincey destacou a resiliência do negócio em 2025.

"Olhando para frente, vamos focar em executar nossa estratégia ainda melhor e posicionar o sistema para o sucesso de longo prazo."James Quincey, CEO da Coca-Cola

Para 2026, a empresa projeta fluxo de caixa livre de cerca de US$ 12,2 bilhões e investimentos de capital de aproximadamente US$ 2,2 bilhões, com impacto cambial levemente positivo sobre receitas e lucro por ação.

Após anos beneficiada por reajustes de preços, a Coca-Cola enfrenta, agora, consumidores mais sensíveis e dispostos a reduzir gastos.

A estratégia para atravessar 2026 dependerá da capacidade de ampliar presença em segmentos de maior valor agregado e menos dependentes do refrigerante tradicional.

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