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Chevron reinava sozinha na Venezuela — agora pode enfrentar concorrência

Com sede em Houston, a Chevron opera na Venezuela desde 1923 e resistiu à saída forçada de outras empresas, como a Exxon Mobil e a Conoco

Chevron: Mais de 100 anos em território venezuelano (REUTERS/Mike Blake/Files)

Chevron: Mais de 100 anos em território venezuelano (REUTERS/Mike Blake/Files)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 08h41.

A prisão de Nicolás Maduro reacendeu a disputa geopolítica pelo controle da maior reserva de petróleo do mundo. A Venezuela, que detém mais de 300 bilhões de barris no subsolo, vive há décadas o colapso de uma indústria que já foi estratégica para os Estados Unidos e hoje opera abaixo de 1% da produção global.

No sábado, em coletiva de imprensa, o presidente americano Donald Trump confirmou a captura de Maduro e defendeu a entrada de empresas americanas na reconstrução do setor.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura petrolífera e comecem a gerar lucro para o país”, afirmou. Segundo ele, a indústria venezuelana estava “um fracasso total”, bombeando “quase nada em comparação com o que poderia”.

O plano, segundo analistas consultados pelo New York Times, pode beneficiar a Chevron, única petroleira ocidental ainda com presença ativa no país.

De acordo com o Energy Institute, a produção atual da Venezuela gira em torno de 1 milhão de barris por dia, menos da metade do que o país extraía no início da década de 2010 — e um terço do volume dos anos 1970.

O declínio foi acelerado por sanções internacionais, má gestão da PDVSA (estatal petrolífera venezuelana), escassez de investimentos e deterioração física dos campos de produção. A infraestrutura sofre com perfuração insuficiente, cortes de energia e roubo de equipamentos.

A presença centenária da Chevron

Com sede em Houston, a Chevron opera na Venezuela desde 1923 e resistiu à saída forçada de outras empresas, incluindo a Exxon Mobil e a ConocoPhillips. Hoje, responde por cerca de 25% da produção do país e exporta ao menos 150 mil barris por dia para as refinarias da costa americana do Golfo.

Para manter essa presença, a Chevron negociou com diferentes administrações americanas. Em fevereiro, Trump revogou uma licença emitida durante o governo Biden que permitia a exportação de petróleo venezuelano. Em julho, no entanto, a empresa recebeu uma nova autorização restrita, permitindo operações limitadas e trocas de petróleo — desde que nenhum pagamento fosse direcionado ao regime de Maduro.

Após a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, a Chevron afirmou estar focada em “garantir a segurança de seus funcionários e operações”. Em nota, o porta-voz Kevin Slagle declarou que a empresa “apoia uma transição pacífica e legal que promova a estabilidade e a recuperação econômica”.

Os próximos capítulos

Empresas americanas que tiveram ativos expropriados — como a ConocoPhillips e a Exxon Mobil, ambas forçadas a sair do país em 2007 — agora veem uma nova possibilidade de compensação. Segundo o portal europeu POLITICO, o governo Trump condiciona eventuais indenizações à disposição dessas companhias em retornar à Venezuela e investir na recuperação do setor.

A Conoco moveu um processo de US$ 20 bilhões contra o governo venezuelano; a Exxon, de US$ 12 bilhões. Ambas receberam apenas frações dos valores pleiteados por meio de arbitragens internacionais, segundo informações do The Wall Street Journal.

Nas últimas semanas, o plano de retomada foi discutido com executivos do setor nos EUA. A exigência central, segundo fontes ouvidas pelo POLITICO, é que as empresas voltem ao país imediatamente, com injeção bilionária em campos, oleodutos e refinarias em colapso.

Mesmo com o discurso entusiasta de Trump, ainda não há clareza sobre o plano de transição nem sobre quem liderará o país no pós-Maduro. Executivos do setor demonstram cautela diante da instabilidade institucional e dos riscos operacionais.

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