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‘Banco dos restaurantes’: iFood quer dobrar de tamanho com lançamento do iFood Pago

Mais de 40% dos restaurantes cadastrados já usam serviços bancários no app; estratégia conta ainda com lançamento de maquininha de cartão ‘turbinada’

iFood Pago quer chegar a R$ 1 bilhão em carteira de crédito até 2029 (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

iFood Pago quer chegar a R$ 1 bilhão em carteira de crédito até 2029 (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Repórter de Invest

Publicado em 20 de junho de 2024 às 10h00.

Última atualização em 21 de junho de 2024 às 12h18.

Depois de dois anos de estruturação, o iFood está lançando seu banco digital para restaurantes, batizado de “iFood Pago”. O novo banco da plataforma de delivery é prioridade dentro da empresa e já começa com 140 mil contas ativas – 41% do total de estabelecimentos cadastrados na base do aplicativo – e uma carteira de crédito sob gestão de R$ 600 milhões. 

A meta é ambiciosa: dobrar o tamanho do iFood com a chegada da fintech e alcançar, dentro do iFood Pago, uma carteira de crédito de R$ 1 bilhão. Tudo em um prazo de cinco anos. 

“Nossa visão é que esta frente [bancária] pode ser tão grande quanto o IFood: podemos dobrar o tamanho da empresa. O foco é acelerar e crescer rápido”, afirma Bruno Henriques, CEO do iFood Pago, em entrevista à EXAME

A jornada financeira do iFood começou há dois anos com a concessão de crédito, e evoluiu para pagamentos e conta digital. “Hoje o restaurante parceiro recebe os pagamentos na conta digital e lá já recebe a oferta de crédito”, diz. Parte da estratégia conta ainda com a aquisição da Zoop, empresa de pagamentos investida desde 2017 pela plataforma, e que agora será integrada à sob a nova marca do iFood Pago. 

E por que o restaurante optaria pelo iFood Pago ao invés de um banco tradicional ou outra fintech? Para Henriques, a resposta passa pela base de dados da companhia, que permite um conhecimento mais profundo do cliente do que a pontuação no Serasa.

“Quem dá crédito para restaurante? É muito difícil. Ou você é um McDonald’s, algo estruturado, ou é aquele mais perto da sua casa, algo pequeno”, defende o CEO. “O banco ou oferece uma taxa muito alta ou não quer emprestar porque não sabe se o negócio vai durar até o dia seguinte. Para o iFood é diferente: nós conhecemos o restaurante.”

A plataforma processa 96 milhões de pedidos por mês, e tem 340 mil restaurantes parceiros, que atendem 50 milhões de clientes. A empresa tem em sua base as métricas de vendas e consegue estimar também a fidelidade dos clientes o que, segundo Henriques, é uma métrica mais relevante que o endividamento do negócio. “O dono do restaurante pode estar negativado, mas vai continuar recebendo nosso crédito porque sabemos que ele vai performar.”

Bruno Henriques, CEO do iFood Pago

Bruno Henriques, CEO do iFood Pago: "Nossa visão é que esta frente [bancária] pode ser tão grande quanto o IFood: podemos dobrar o tamanho da empresa." (iFood/Divulgação)

Henriques é adepto da teoria de que todas as companhias irão se tornar, em maior ou menor grau, uma fintech. “O iFood é o exemplo perfeito disso porque os grandes bancos têm dificuldade de entrar em ecossistemas. O nosso envolve clientes e pequenos estabelecimentos: conseguimos oferecer produtos mais competitivos que os bancos por conhecer essa cadeia.”

O novo CEO do iFood Pago está na empresa há cinco anos, foi vice-presidente da área de crescimento e também responsável por projetos de inteligência artificial (IA). Henriques conta que uma das grandes inspirações para a área bancária do iFood foi o Mercado Pago, banco digital do Mercado Livre, que tem sido um dos principais impulsionadores de receita da marca-mãe

“Eles fazem isso muito bem, mas acho que o iFood Pago tem uma vantagem. Ao comprar no Mercado Livre, você pode não saber de quem está comprando. O restaurante não: você senta para comer lá, tem uma relação online e offline.”.

A maquininha do iFood

A atuação fora das plataformas é, inclusive, um dos alvos do iFood Pago para a estratégia de crescimento. A empresa investiu na própria maquininha de cartões integrada ao delivery da plataforma que traz opções de gestão, como a consolidação de recebíveis. “É como dar aos donos de restaurante um ‘diretor financeiro’. Nosso papel é trazer controle financeiro e produtividade.”

O objetivo é que a maquininha – apelidada internamente de ‘maquinona’ – seja também uma ferramenta de gerenciamento de relacionamento com o cliente (CRM, na sigla em inglês), potencializando as iniciativas de marketing. 

Com inteligência artificial (IA), o iFood consegue mapear as preferências e rotinas dos clientes e entregar dados estruturados para os restaurantes. A ideia é, inclusive, sugerir ações promocionais para que eles conquistem os clientes – especialmente os que têm um ‘match’ maior com o negócio. Um exemplo são aqueles que já pedem com frequência no delivery da plataforma, mas ainda não visitaram o estabelecimento. 

A expectativa é ter de 20 a 30 mil maquininhas operando ainda este ano. Na fase de testes, os restaurantes aumentaram suas vendas em 7%, segundo o iFood. “Não damos só um relatório. É uma demanda de longa data poder se comunicar com os clientes, ter uma ferramenta de gestão mesmo.”

Para os clientes, a empresa vai continuar a oferecer o vale refeição próprio, o iFood Benefícios. A tese é que a frente bancária seja um catalisador para o próprio iFood, mantendo um ciclo virtuoso de crescimento que, na visão do CEO, tem um alto potencial de crescimento. “O Brasil tem 1 milhão de restaurantes, nós temos 340 mil [na base]. É um mercado gigantesco, e estamos criando um ecossistema dentro dele que se retroalimenta.”

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