Queda no mercado acionário: ações da Azul (AZUL53) abriram o pregão desta quinta-feira, 19, em forte queda, chegando a recuar quase 50% (Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 12h11.
As ações da Azul (AZUL53) abriram o pregão desta quinta-feira, 19, em forte queda, chegando a recuar quase 50%. Por volta das 10h30, as negociações dos papéis da companhia aérea chegaram a ser interrompidas e entraram em leilão, mas, às 11h03, a AZUL53 mantinha as perdas ao cair 34,12%, cotada a R$ 168.
O tombo ocorre após a companhia anunciar a conclusão de uma oferta de ações no valor de R$ 4,98 bilhões e a aprovação, pelo conselho de administração, de um aumento do capital social.
Segundo a companhia em comunicado ao mercado nesta quinta, a Azul captou cerca de R$ 4,98 bilhões com a emissão de novos papéis, que elevaram o capital social da empresa para R$ 21,8 bilhões.
A empresa também informou que o conselho de administração aprovou o aumento após o procedimento de alocação da oferta, que contou com subscrições estratégicas, incluindo US$ 100 milhões da United Airlines e compras de detentores de títulos de dívida da Azul com vencimentos entre 2028 e 2030. As novas ações estão previstas para começar a ser negociadas em 23 de fevereiro.
No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta, 18, a companhia detalhou que cada uma das duas aéreas internacionais comprometeu‑se a investir US$ 100 milhões em participação acionária.
No caso da United, o aporte será realizado por meio da oferta pública de ações (ERO) iniciada em 3 de fevereiro, cuja liquidação está prevista para 20 de fevereiro. Já o investimento da American Airlines ocorrerá via subscrição de bônus (warrants), condicionado à aprovação de autoridades concorrenciais brasileiras, como o Cade.
A operação foi feita contexto do plano de reestruturação da companhia aérea nos Estados Unidos.
Em maio do ano passado, a Azul protocolou o pedido de Chapter 11, equivalente à recuperação judicial, na Justiça americana. Em dezembro, o Tribunal dos EUA aprovou o plano de reorganização, com mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores elegíveis.
O que, segundo a empresa, abre caminho para a conclusão do processo já no início de 2026, após a finalização das transações determinadas no plano, incluindo a redução de mais de US$ 3 bilhões em dívidas, em obrigações com arrendamentos, em juros anuais e em custos recorrentes com frota.
Recentemente, a companhia passou por uma reorganização de capital ligada à sua recuperação judicial, que incluiu a conversão de ações preferenciais em ordinárias e a negociação inicial sob o código AZUL54 antes da consolidação no ticker atual, AZUL53.
Apesar do avanço do plano de recuperação, o mercado continua avaliando o impacto da reestruturação acionária. O processo tem provocado, incluisve, forte volatilidade nos papéis.