No câmbio, o dólar operava em leve alta de 0,09%, na casa de R$ 5,37 (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 12h33.
A aversão ao risco dita o tom dos mercados na sessão desta segunda-feira, 12, e pressiona as ações de bancos, enquanto papéis específicos conseguem se descolar do movimento negativo. Perto das 12h20, o Ibovespa estava praticamente estável, com leve queda de 0,02%, aos 163.342 pontos, em um dia marcado por cautela dos investidores diante do cenário externo.
O movimento de baixa se concentra principalmente nos bancos, de peso na composição da referência acionária, que acompanham a realização de posições em um ambiente de redução de risco em mercados emergentes.
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíam 0,50%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 0,28% e Bradesco (BBDC4) cedia 0,27%. As units do BTG Pactual (BPAC11) tinham queda mais acentuada, de 1,32%, e as do Santander Brasil (SANB11) recuavam 0,70%.
Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a pressão sobre os bancos reflete a aversão ao risco global, intensificada por tensões geopolíticas e pelo embate entre o governo dos Estados Unidos e o Federal Reserve (Fed, o banco central do país).
"Os mercados globais estão balançando bastante, com o índice de volatilidade subindo cerca de 9%. É um momento de reposicionamento e redução de risco, e quando isso acontece em emergentes, bancos, Petrobras e Vale acabam sendo mais afetados", afirma.
Além do setor financeiro, o segmento imobiliário também registra perdas relevantes nesta sessão. A Direcional (DIRR3) está entre as maiores quedas do dia, com recuo de 2,59%. A MRV (MRVE3) também caía 2,08%, Cury (CURY3) perdia 1,51% e Cyrela (CYRE3) recuava 1,37%.
Na ponta positiva do índice, algumas ações conseguem avançar apesar do clima mais defensivo. As preferenciais da Braskem (BRKM5) subiam 5,49%, enquanto a Brava Energia (BRAV3) se destacava entre as petrolíferas, com alta de 3,42%.
Mais cedo, a Brava Energia anunciou, em fato relevante divulgado ao mercado, a renúncia de Décio Oddone ao cargo de diretor-presidente e uma reorganização em sua alta liderança, em um movimento classificado pela companhia como parte de um processo de sucessão previamente planejado .
"O mercado interpretou essas alterações de forma positiva, entendendo que a nova gestão pode posicionar melhor a companhia neste momento, em que as petrolíferas juniores tendem a ser mais sensíveis a fatores como Venezuela e preços do petróleo. A mudança foi bem recebida, apesar da redução de posição feita por um banco relevante como o JP Morgan", disse Teles.
No câmbio, o dólar operava em leve alta de 0,09%, na casa de R$ 5,37.
O movimento contrasta com a queda no exterior. De acordo com Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, esse recuo fora está relacionado à desconfiança dos investidores em relação ao ambiente institucional nos Estados Unidos.
"O dólar cai um pouco por conta de uma investigação que o governo americano abriu contra o presidente do Banco Central. Existe uma disputa do presidente Donald Trump com Jerome Powell, e os mercados gostam de bancos centrais independentes. Essa desconfiança leva investidores a vender dólar”, afirmou.
Como consequência, ativos considerados reservas alternativas de valor, como ouro e prata, registram recordes nas negociações desta segunda.