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Avanço da IA provoca liquidação em massa de ações de software

Estopim foi o anúncio da Anthropic de novos recursos jurídicos integrados ao assistente Cowork

IA: tecnologia derrubou ações na terça-feira (J Studios/Getty Images)

IA: tecnologia derrubou ações na terça-feira (J Studios/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 05h44.

Wall Street parece não querer novas ferramentas de inteligência artificial. O avanço recente de soluções capazes de automatizar tarefas antes restritas a softwares tradicionais provocou um movimento de venda em massa de ações ligadas ao setor nesta terça-feira.

O estopim foi o anúncio da Anthropic de novos recursos jurídicos integrados ao assistente Cowork, voltados à automação de atividades como revisão de contratos e pesquisas legais. A reação foi imediata, com investidores questionando o impacto dessas tecnologias sobre modelos de negócios consolidados.

Após a divulgação, ações de empresas que oferecem bases de dados, pesquisa jurídica e serviços relacionados sofreram fortes quedas. Papéis de Thomson Reuters, LegalZoom e London Stock Exchange Group recuaram mais de 12%, refletindo o receio de que a IA reduza a relevância desses serviços.

Ao longo do pregão de terça-feira, 3, o movimento deixou de ser pontual e atingiu o mercado de software. Empresas como PayPal, Expedia, Intuit, Equifax e EPAM Systems fecharam o dia com perdas superiores a 10%.

Índices que acompanham ações de software, dados financeiros e bolsas somaram uma perda aproximada de US$ 300 bilhões em valor de mercado.

Gestores e analistas avaliam que o ritmo de evolução de modelos como o Claude, da Anthropic, amplia a percepção de que aplicações tradicionais podem perder suas barreiras competitivas. O receio é que tarefas como programação, análise de dados e produção de conteúdo se tornem cada vez mais padronizadas e baratas.

Impacto alcança fundos e crédito privado

A aversão ao risco também atingiu gestoras e fundos com grande exposição ao setor. Empresas de gestão de ativos e crédito privado, que ampliaram investimentos em software ao longo da última década, viram suas ações recuar de forma expressiva, refletindo preocupações com contratos recorrentes e valuation.

Antes mesmo do movimento desta terça, o segmento de software e serviços já figurava como o pior desempenho do ano entre os subsetores acompanhados por índices de mercado. O avanço da inteligência artificial intensificou a pressão e reforçou a cautela dos investidores diante do risco de disrupção acelerada.

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