Petrobras: empresa é a operadora do bloco, com 100% de participação (Agência Petrobras/Divulgação)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 16h43.
As ações da Petrobras voltaram a cair na tarde desta terça-feira, 6, depois de terem ensaiado uma recuperação ao longo do pregão, em um dia marcado pela combinação de um incidente operacional na Bacia da Foz do Amazonas e pela queda dos preços internacionais do petróleo.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o movimento esteve diretamente ligado a esses dois fatores.
"Até de manhã, se a gente for analisar, o papel estava melhor. Mas depois que o petróleo realmente começou a ceder, cair mais, está caindo um e meio, isso somado à notícia do lado da Foz do Amazonas, do incidente, o papel veio para o negativo", afirmou.
A ação chegou a operar no positivo, alcançando R$ 30,43, antes da virada. Às 16h09, o papel preferencial, com prioridade no recebimento de dividendos, caía 1,36%, a R$ 29,79. No mesmo horário, as ordinárias, com direito a voto, tombavam 1,54%, estendendo as perdas do dia seguinte, de 1,67%.
Mais cedo, a Petrobras informou que suspendeu temporariamente as atividades de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas após detectar um vazamento de fluido em tubulações auxiliares. O incidente ocorreu no domingo, 4, durante operações no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá.
Em nota, a estatal explicou que o vazamento foi identificado em duas linhas auxiliares que conectam o navio-sonda ao poço exploratório. A empresa informou que as operações foram paralisadas para permitir a retirada das tubulações afetadas, que serão levadas à superfície para análise e realização dos reparos necessários.
De acordo com o comunicado enviado à EXAME, a situação foi imediatamente contida e isolada. A companhia ressaltou que "não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança", acrescentando que a ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras também afirmou que não houve danos ao meio ambiente ou às pessoas, destacando que o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável.
Além do episódio operacional, os preços do petróleo também pressionaram as ações. Por volta das 16h20, o barril do Brent caía 1,46%, a US$ 60,86, enquanto o WTI recuava 1,87%, a US$ 57,23.
"A Petrobras também acompanha o movimento mundial das petrolíferas. Nos Estados Unidos, a ExxonMobil, Conoco e Shell também estão em movimento de queda, precificando um preço de petróleo mais para baixo em relação à atuação na Venezuela das empresas americanas", afirmou Alexandre Pletes, Head de renda variável da Faz Capital.
Na véspera, as ações do setor haviam caído refletindo um cenário externo mais complexo, marcado pelas incertezas em torno da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, no sábado, 3.
O episódio manteve o país no centro do noticiário internacional e levantou dúvidas sobre os impactos estruturais da crise venezuelana na oferta global de petróleo no médio e longo prazo.
Na avaliação dos investidores naquele momento, investimentos norte-americanos na indústria do petróleo venezuelana e uma eventual normalização política poderiam permitir a recuperação e ampliação da produção no país, com o retorno de grandes empresas estrangeiras, sobretudo americanas. Esse movimento poderia aumentar a oferta global da commodity e pressionar os preços no futuro, o que teria motivado a venda das ações de petrolíferas no Brasil.