Invest

A visão apocalíptica do mercado sobre empresas de software na era da IA

Quase US$ 1 trilhão evaporou do valor de mercado de empresas de software e serviços no mundo inteiro nas últimas semanas

Inteligência Artificial: inimiga ou aliada? (NurPhoto/Getty Images)

Inteligência Artificial: inimiga ou aliada? (NurPhoto/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 09h00.

O setor global de software enfrenta uma de suas crises de confiança mais agudas, com investidores questionando se a inteligência artificial (IA) representa um benefício ou uma ameaça existencial para o segmento. Em poucos dias, quase US$ 1 trilhão evaporou do valor de mercado de empresas de software e serviços no mundo inteiro.

O gatilho foi o lançamento de novas ferramentas da Anthropic para o Claude Cowork, um assistente de IA capaz de executar tarefas no ambiente corporativo. No Brasil, o impacto foi sentido pela Totvs, cujas ações caíram 15,66% nos últimos cinco dias, acompanhando a derrocada de gigantes como Salesforce, Adobe, Thomson Reuters e outras.

Os novos recursos que agitaram o mercado foram desenhados para automatizar fluxos de trabalho complexos, como revisões de contratos e briefings jurídicos. Essas funções, tradicionalmente, são a base dos produtos vendidos por provedores de software e dados — o temor é que a IA possa substituí-los em breve. 

Ameaça real ou histeria coletiva?

Existe um debate intenso se a IA pode realmente “matar” as empresas de software ou se o mercado está reagindo de forma exagerada. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, avaliou que isso seria “a coisa mais ilógica do mundo”, já que, na sua visão, a tecnologia iria aprimorar as ferramentas existentes e não deixá-las para trás.

Já o CEO da Arm Holdings, Rene Haas, classificou o momento atual como uma “micro-histeria”, argumentando que a implementação da IA em larga escala nas empresas ainda está em seus estágios iniciais. Outros analistas do setor também dizem não ser fácil substituir sistemas já consolidados.

O diretor de equity research da empresa de investimentos Wedbush, Dan Ives, disse à ABC News que as grandes empresas levaram décadas para acumular trilhões de pontos de dados integrados em sua infraestrutura de software, o que torna improvável um abandono em massa desses fornecedores tradicionais.

"Companhias não vão simplesmente abandonar plataformas críticas que sustentam suas operações."Dan Ives, diretor de equity research da empresa de investimentos Wedbush

Por outro lado, para parte dos analistas, há sim o risco de uma mudança estrutural. “Se a IA puder executar diretamente muitas dessas tarefas, parte do valor do SaaS (software como serviço, na tradução do inglês) tradicional pode desaparecer”, relatou à Reuters o analista da RBC Capital Markets, Rishi Jaluria.

Mesmo que a IA não cause a extinção das empresas de software, ela já está transformando a história de crescimento do setor. O temor de desarticulação pressiona as margens e o poder de precificação das companhias, especialmente porque as ferramentas de IA automatizam tarefas rotineiras que justificavam o valor das licenças. 

A opinião que prevalece, por enquanto, é que não haverá “fim do software”, mas uma mudança no seu papel. Empresas consolidadas podem até se fortalecer, como a Oracle, ServiceNow e a própria Totvs. Os softwares mais genéricos, porém, correm risco, e o mercado está mais seletivo, segundo o estrategista do Deutsche Bank, Jim Reid, ouvido pela ABC News.

Para recuperar a confiança dos investidores, especialistas veem que essas companhias precisarão demonstrar uma aceleração real no crescimento da receita e provar que podem coexistir e lucrar com a IA. Enquanto isso não ocorre, a volatilidade deve persistir, com o mercado reavaliando empresas e a concorrência dos produtos criados por IA.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialSoftwarebolsas-de-valores

Mais de Invest

Mega-Sena pode pagar R$ 40 milhões em sorteio deste sábado

O inverno chegou para as criptomoedas? Para analistas, tudo indica que sim

Fôlego de última hora não poupou Nvidia de pior semana do ano na bolsa

Lembra dela? DeepSeek derrubou mercados há um ano — como está a empresa hoje?