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Veja cuidados essenciais para usar inteligência artificial sem expor dados da empresa e reduzir riscos jurídicos
Redatora
Publicado em 12 de setembro de 2026 às 07h02.
O uso de inteligência artificial nas empresas exige mais do que escolher uma boa ferramenta.
Uma planilha com dados de clientes, um contrato ou uma lista de funcionários pode parecer um material comum para quem trabalha com inteligência artificial. Basta copiar o conteúdo, colar na ferramenta e pedir um resumo, uma análise ou uma sugestão.
O problema começa quando informações que deveriam permanecer sob controle da empresa passam a circular em ambientes sem avaliação prévia.
Pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), empresas devem adotar medidas técnicas e administrativas para proteger dados pessoais contra acessos não autorizados e tratamentos inadequados ou ilícitos.
Para profissionais que utilizam IA no trabalho, alguns cuidados ajudam a reduzir esse tipo de exposição.
Antes de enviar um arquivo para uma ferramenta de IA, vale verificar se todas as informações presentes são realmente necessárias para executar a tarefa. Nome, telefone, CPF, endereço, informações financeiras e outros dados pessoais podem exigir cuidados específicos.
A lógica é simples: quanto menos informação pessoal for compartilhada, menor tende a ser a exposição. A própria ANPD orienta que o tratamento de dados observe finalidade, segurança e prevenção.
Uma forma de trabalhar com IA sem repassar dados desnecessários é substituir informações identificáveis por referências genéricas. Em uma análise de atendimento, por exemplo, pode ser possível trocar nomes e outros identificadores por códigos antes de enviar o material.
A medida não elimina automaticamente todas as obrigações relacionadas à proteção de dados, mas pode reduzir a quantidade de informações pessoais envolvidas na atividade.
A empresa pode definir quais ferramentas são autorizadas, que tipos de documentos podem ser utilizados e quais informações não devem ser compartilhadas. A ANPD aponta a adoção de processos e políticas internas como parte das providências relacionadas à adequação à LGPD.
Para quem trabalha com comunicação, recursos humanos, jurídico, tecnologia ou atendimento, conhecer essas regras também passa a fazer parte do uso profissional da IA.
Uma ferramenta de IA não deve ser tratada como um espaço isolado das demais políticas de segurança da empresa. Permissões de acesso, armazenamento, compartilhamento e descarte de informações precisam fazer parte dos controles internos.
A LGPD determina que as medidas de segurança sejam consideradas desde a concepção de produtos e serviços até sua execução.
Documentar quais ferramentas são utilizadas, para quais finalidades e que tipos de dados entram nesses processos ajuda a empresa a demonstrar como realiza o tratamento das informações.
O princípio da responsabilização e prestação de contas previsto na LGPD envolve justamente a demonstração de medidas eficazes para cumprir as normas de proteção de dados.
Mesmo com controles, falhas podem acontecer. Quando um incidente de segurança envolvendo dados pessoais puder gerar risco ou dano relevante aos titulares, existem obrigações específicas de comunicação previstas na LGPD e regulamentadas pela ANPD.
Por isso, usar IA com responsabilidade não depende somente da ferramenta escolhida. A atuação de quem insere informações, define finalidades, revisa resultados e segue as políticas da organização também interfere na segurança do processo.
Para profissionais, dominar esses cuidados significa incorporar uma competência cada vez mais ligada ao uso responsável da tecnologia no ambiente de trabalho.