Nesse processo, entregar bons resultados continua sendo fundamental, mas nem sempre é suficiente
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Publicado em 12 de setembro de 2026 às 07h00.
Com empresas entrando em ciclos de avaliação de desempenho e planejamento dos próximos meses, Luciano Santos, especialista em carreira e liderança, analisa as competências que podem pesar nas decisões sobre quem está pronto para assumir novas responsabilidades, entre elas comunicação, leitura de contexto, autonomia e influência.
O segundo semestre costuma concentrar movimentos importantes dentro das empresas. Avaliações de desempenho, revisões de metas, planejamento do próximo ciclo e discussões sobre orçamento colocam também as decisões de carreira na mesa.
É nesse período que muitas lideranças começam a identificar quais profissionais estão preparados para assumir posições maiores, novas responsabilidades ou projetos estratégicos.
Nesse processo, entregar bons resultados continua sendo fundamental, mas nem sempre é suficiente para garantir uma promoção.
Em estruturas cada vez mais enxutas e ambientes de trabalho mais complexos, empresas tendem a observar um conjunto mais amplo de competências, que envolve desde capacidade de comunicação até autonomia, influência e entendimento do negócio.
Para Luciano Santos, especialista em carreira e liderança, palestrante, autor do livro Seja Egoísta com sua Carreira, curador do livro Carreira é Sorte Ação e sócio-diretor da Fluxus, um dos erros mais comuns é acreditar que a qualidade técnica do trabalho será percebida automaticamente.
“Existe uma diferença importante entre fazer um bom trabalho e demonstrar que você está preparado para atuar em outro nível. Promoção envolve confiança. A liderança precisa enxergar naquele profissional capacidade para lidar com problemas maiores, tomar decisões e ampliar seu impacto”, afirma.
Entre as habilidades que podem influenciar uma promoção está a capacidade de comunicar ideias com clareza.
Isso não significa falar mais em reuniões, mas saber apresentar problemas, defender propostas, contextualizar decisões e adaptar a mensagem de acordo com quem está ouvindo.
A leitura de contexto também se torna especialmente relevante. Profissionais que entendem apenas a própria tarefa podem ter dificuldade para avançar quando assumem funções mais estratégicas.
Conhecer as prioridades da empresa, perceber como o próprio trabalho afeta outras áreas e compreender quais problemas realmente precisam ser resolvidos ajudam a construir uma atuação mais madura.
Outro ponto observado pelas lideranças é a autonomia. Segundo Santos, existe uma diferença entre o profissional que apenas executa solicitações e aquele que consegue identificar obstáculos, avaliar caminhos e levar alternativas para uma discussão.
“Quanto maior a responsabilidade, menos a empresa espera alguém que precise receber instruções detalhadas o tempo todo. A promoção costuma vir acompanhada de problemas mais ambíguos. Por isso, demonstrar capacidade de pensar, propor e decidir dentro do seu espaço de atuação é um sinal importante de prontidão”, explica.
Um desafio recorrente para profissionais competentes é tornar suas contribuições conhecidas sem transformar o ambiente de trabalho em uma disputa permanente por exposição.
Para Santos, visibilidade profissional precisa ser entendida como comunicação de impacto, e não como autopromoção.
Isso passa por registrar resultados, compartilhar aprendizados, explicar a contribuição de um projeto e construir boas relações com pessoas além da própria equipe. Também envolve a capacidade de colaborar e exercer influência sem depender de autoridade formal.
Quem pretende crescer ainda neste ano, portanto, pode aproveitar os próximos meses para observar menos o cargo desejado e mais os comportamentos exigidos de quem já ocupa posições semelhantes.
A pergunta deixa de ser apenas "o que preciso entregar?" e passa a incluir "como preciso atuar para que confiem em mim em um nível maior?".
“Carreira não é construída apenas quando surge uma vaga. Ela é construída antes, nas pequenas evidências de preparo que o profissional oferece todos os dias. Quando a decisão de promoção chega, muitas vezes a liderança já vinha formando aquela percepção há meses”, conclui Luciano Santos.