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Gilberto Ururahy e Galileu Assis, fundadores da clínica, na inauguração da SP Check-up, em São Paulo (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14h00.
Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 14h14.
A poucos metros da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, abre as portas nesta quinta-feira, 24, a SP Check-up, nova unidade da clínica carioca que realiza check-ups médicos voltados a executivos há mais de 35 anos.
Localizada na Vila Olímpia, a escolha não foi por acaso: a região concentra um dos maiores polos corporativos da América Latina, cercada por empresas e escritórios.
O check-up completo dura cerca de cinco horas. Em um único dia, o paciente passa por 12 especialidades médicas e recebe, em até 24 horas, um raio-x detalhado da própria saúde, incluindo avaliação de fatores de risco e um plano de acompanhamento personalizado.
"A prevenção é a forma mais inteligente de cuidar da saúde", destacou o médico Gilberto Ururahy, especializado em medicina preventiva e cofundador da clínica, em entrevista à EXAME.
É essa missão que guia o negócio desde o início, e que, para ele, deveria guiar o sistema de saúde como um todo.
"Vivemos um sistema em que a prioridade é ver o indivíduo doente, como a 'cereja do bolo'. E tratar doença é caro, por isso que as pessoas buscam planos de saúde. O remédio seria a prevenção, é muito mais barato" afirmou.
A história da clínica começou com uma pergunta despretensiosa. Em 1988, um amigo canadense de Gilberto, radicado no Rio de Janeiro, comentou que era hábito, em seu país, realizar check-ups completos para executivos.
Mas será que existiria algo parecido na cidade? O médico procurou e não encontrou, então foi a Nova York estudar o modelo de perto.
"O check-up médico nasceu no início dos anos 60, com o programa espacial americano. O homem só poderia ser lançado ao espaço em plena condição de saúde", conta.
Sem nada similar no Brasil, ele importou o conceito e adaptou à realidade local.
Segundo o cofundador, a ideia foi “tropicalizar dentro das necessidades”. Nascia ali a Med-Rio Check-up, hoje com mais de 250 mil check-ups realizados, unidades no Rio (a original e uma na Barra da Tijuca, desde 2012) e em Belo Horizonte (desde 2000), além de consultorias internacionais em Angola e projetos em estudo para Lisboa e Miami.
Um dos diferenciais é a rapidez dos resultados de exame e olhar 360 para a saúde de cada indivíduo.
Segundo o médico, dois casos ilustram bem os benefícios: os pacientes deram entrada em emergências com os exames em mãos e foram direto para o centro cirúrgico, ganhando tempo decisivo no tratamento.
O argumento para convencer empresas a investir em prevenção também é financeiro. "Custa caro para uma empresa perder um executivo estratégico”, refletiu.
Ele também lembra que o coração ainda é o maior vilão: 40% dos óbitos no mundo são decorrentes de doenças cardiovasculares.
Mas aposta que esse cenário deve mudar nas próximas décadas. Não porque as doenças vão piorar, mas porque a medicina deve conseguir atuar no problema cada vez antes e melhor.
“Nos próximos 20, 30 anos, o coração deixará de ser o órgão que mais mata. Será o câncer, porque o grande desafio ali ainda é o diagnóstico precoce”, afirmou.
Se o check-up é a porta de entrada, a conversa com Gilberto caminha naturalmente para um tema mais amplo: como viver mais, e melhor?
O especialista resume os três pilares de uma vida saudável: alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade.
"A atividade física regular é a vacina para tudo", resume.
Ele também aponta o estresse como um dos principais inimigos silenciosos da saúde de líderes.
Ao lado do físico, Gilberto insiste em um ponto cada vez mais consolidado em faculdades de medicina no mundo: espiritualidade, mas não no sentido religioso, mas como fonte de propósito.
“Espiritualidade não é religiosidade. É o indivíduo ter fé. Fé que gera esperança, esperança gera motivação, e a motivação é a mola da vida”, complementa.
E é nesse ponto que a ideia de longevidade ganha um contorno mais humano.
Para o médico, viver mais só faz sentido se vier acompanhado de autonomia.
“Não adianta o cara chegar aos 80 numa cadeira de rodas, sendo empurrado. Tem que ter uma vida boa: viajando, vivendo, fazendo acontecer. A vida prossegue”, resume.
A música também é assinatura do novo espaço. Painéis com instrumentos decoram os ambientes, e uma clave de sol simboliza o conceito por trás do projeto: "representa a harmonia e o equilíbrio, tudo que a saúde precisa", explica Gilberto.
O toque musical não para na decoração: diariamente, jovens talentos da música brasileira se apresentam ao vivo na clínica, parte da iniciativa social "Música ao Topo da Arte", que já roda há 8 anos na unidade do Rio e chega agora a capital paulista.
A inauguração da SP Check-up, aliás, coincide com o lançamento do quinto livro da clínica, dedicado justamente a longevidade.