Plenário do Senado Federal (Jefferson RudyAgência Senado)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 07h25.
Aliados do governo no Congresso já afirmam, sob reserva, que, mesmo com o acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avançar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, dificilmente o texto será apreciado pelo plenário antes da eleição.
O texto (PEC 221/2019), aprovado pela Câmara em maio e que ficou com a tramitação paralisada por quase três meses no Senado, prevê a implementação da escala 5x2, com dois dias de descanso semanais obrigatórios, no Brasil. A pauta será uma promessa eleitoral de Lula neste ano e é um dos temas em que a campanha do presidente identifica possibilidade de ampliar a aprovação de sua imagem.
O relator da PEC no Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), deverá apresentar seu relatório à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima quarta-feira, 2, e, a pedido do governo, não deverá prever em seu parecer nenhuma mudança em relação à proposta aprovada pelos deputados em maio. A estratégia visa evitar que a matéria tenha de retornar à Câmara dos Deputados.
Ainda assim, membros da CCJ afirmam que é pouco provável que a matéria seja votada na própria quarta-feira pela comissão. Aliados do presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), dizem esperar que membros da oposição peçam vistas ou a realização de audiências públicas para discutir a matéria, protelando a votação.
Na última segunda-feira, 24, o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que o tema seria votado na CCJ e levado a plenário na próxima quarta-feira. "No dia 2 de setembro, nós deveremos apreciar essa proposta e levá-la ao plenário do Senado. Está chegando a hora dos trabalhadores brasileiros terem a maior conquista desde a Constituição de 1988", disse.
Pelo regimento do Senado, porém, pedidos de vista têm a duração de cinco dias, o que inviabilizaria a votação da PEC na semana de esforço concentrado, a última em que o Senado realiza sessões deliberativas presenciais antes das eleições de outubro.
Um parlamentar familiarizado com o tema afirma, no entanto, que um pedido do tipo seria altamente impopular, uma vez que dá à base aliada a oportunidade de, em plena campanha eleitoral, propagar a ideia de que o bolsonarismo é contrário à redução da escala e da jornada de trabalho.
Outra manobra para protelar a votação, que está no radar de aliados do presidente da CCJ seria um pedido para que a comissão realizasse uma audiência pública sobre o tema antes de submeter a PEC à votação no colegiado. O pedido precisaria ser aprovado pela comissão, que tem 27 membros titulares.
A líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE), argumenta, no entanto, que já foram realizadas audiências sobre o texto.
Uma vez aprovada pela CCJ, a PEC deverá ser levada a plenário, onde precisa dos votos de ao menos três quintos dos senadores, ou seja, 49 votos, em dois turnos. Caso a oposição consiga protelar a tramitação da matéria, a votação do texto no plenário do Senado ficaria para depois do primeiro turno da eleição.
Reservadamente, empresários e representantes de entidades setoriais críticas à PEC têm buscado pressionar para que o tema não seja votado antes das eleições.
O texto da PEC já tem 12 emendas parlamentares no Senado, todas apresentadas por parlamentares de oposição alinhados ao bolsonarismo. Apresentaram propostas de alteração os parlamentares Hermes Klann (PL-SC), Izalci Lucas (PL-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR).
A proposta prevê a redução da jornada semanal de trabalho das atuais 44 horas para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da PEC, além da adoção da escala 5x2, com duas folgas obrigatórias por semana. Após 12 meses da primeira etapa, a carga horária cairá para 40 horas semanais.
O parecer determina ainda que uma das folgas ocorra “preferencialmente aos domingos” e estabelece prazo de 60 dias para adaptação das convenções coletivas às novas regras.
Trabalhadores com remuneração superior a duas vezes e meia o teto do Regime Geral de Previdência Social — atualmente em R$ 21.188,88 — ficarão dispensados do controle de jornada e ponto, salvo previsão contrária em acordo coletivo ou decisão das empresas.
A tramitação da PEC enfrentou resistência de parlamentares ligados ao setor empresarial e de integrantes da oposição, que afirmam que a medida pode elevar custos trabalhistas e afetar a geração de empregos.