Inteligência Artificial

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Uma técnica simples (mas eficaz) pode transformar a IA em seu consultor financeiro

Especialistas alertam que qualidade das respostas depende da forma como usuários estruturam perguntas

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 20 de abril de 2026 às 16h13.

O uso da inteligência artificial para orientar decisões financeiras já é uma realidade crescente, mas especialistas apontam que o resultado dessas interações depende diretamente da forma como as perguntas são formuladas. 

Andrew Lo, diretor do Laboratório de Engenharia Financeira do MIT, afirma que existe uma combinação de técnica e prática na construção de comandos eficazes para ferramentas de IA. 

A popularização dessas ferramentas tem ampliado o acesso a orientações sobre investimentos, aposentadoria e organização financeira. 

Dados da Intuit Credit Karma mostram que 66% dos americanos que utilizaram IA generativa recorreram à tecnologia para aconselhamento financeiro, percentual que ultrapassa 80% entre millennials e integrantes da Geração Z. 

A adesão vem acompanhada de confiança: cerca de 85% afirmam ter seguido as recomendações recebidas. As informações foram retiradas da CNBC.

Limitações da IA exigem leitura crítica do usuário

Apesar do avanço, especialistas destacam limitações importantes. A inteligência artificial tende a oferecer explicações gerais com consistência, como a importância da diversificação ou diferenças entre produtos financeiros. 

No entanto, enfrenta dificuldades quando o tema exige precisão numérica ou análise personalizada, especialmente em áreas como planejamento tributário. Segundo Lo, cálculos específicos relacionados à realidade individual ainda exigem cautela, já que as respostas podem conter inconsistências.

Outro ponto de atenção está no fenômeno conhecido como “alucinação”, quando sistemas geram respostas incorretas com aparência de autoridade. Esse comportamento amplia o risco de decisões baseadas em informações imprecisas, sobretudo em um contexto em que o usuário não questiona ou valida os dados apresentados.

Saber perguntar se torna habilidade central na era da IA

Diante desse cenário, ganha relevância a chamada engenharia de prompts — prática que envolve estruturar perguntas de forma clara, detalhada e contextualizada. 

Em vez de comandos genéricos, como “como devo me aposentar?”, especialistas recomendam incluir variáveis como objetivos financeiros, perfil de risco, renda, patrimônio e horizonte de tempo. Quanto mais completo o contexto, maior a capacidade da IA de entregar respostas úteis.

A interação com esses sistemas também tende a ser interativa. O processo envolve uma sequência de perguntas que refinam a resposta inicial até atingir um nível mais satisfatório. Nesse fluxo, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de consulta e passa a funcionar como um interlocutor que exige direcionamento estratégico por parte do usuário.

Uma prática adicional recomendada é a chamada engenharia reversa de prompts. Após obter uma resposta considerada adequada, o usuário pode questionar qual teria sido a melhor pergunta para chegar àquele resultado. Isso permite criar modelos reutilizáveis e tornar futuras interações mais eficientes.

Além disso, especialistas sugerem incluir questionamentos sobre limitações da própria resposta. Perguntas como “quais informações estão faltando?” ou “qual o nível de incerteza dessa recomendação?” ajudam a mapear riscos e lacunas. 

Também é recomendável solicitar que a IA apresente fontes ou restrinja suas referências a critérios específicos, reduzindo a dependência de opiniões não verificáveis. 

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