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Tivita cria 'copiloto' de médicos para registrar consultas com IA

Startup brasileira leva inteligência artificial para dentro da consulta e planeja expandir tecnologia para hospitais e operadoras de saúde

Tivita: empresa criou o Agente Digital Tom para registrar consultas médicas com IA (Imagem gerada por IA/Exame)

Tivita: empresa criou o Agente Digital Tom para registrar consultas médicas com IA (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 06h01.

Última atualização em 21 de setembro de 2026 às 08h19.

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A Tivita lança o Agente Digital Tom, sistema de IA que transforma a conversa entre médico e paciente em um rascunho de prontuário. O médico revisa e assina o texto; a ferramenta não diagnostica, prescreve ou decide condutas. A healthtech pretende alcançar 100 mil horas de consultas transcritas por mês.

Um médico dividido entre o paciente à sua frente e a tela do computador, tentando não perder nenhum detalhe enquanto digita, é uma cena tão comum em consultórios brasileiros que quase ninguém mais repara nela. É essa cena, especificamente, que a Tivita decidiu atacar.

A plataforma brasileira de automação para clínicas lança o Agente Digital Tom, sistema de inteligência artificial (IA) que ouve a conversa entre médico e paciente e escreve o prontuário sozinho, sem que o profissional precise digitar uma linha durante o atendimento. É a primeira vez que a empresa entra na própria consulta — até aqui, ela só automatizava o que acontecia antes e depois dela.

"A Tivita já cuidava de tudo o que acontece antes e depois da consulta [...] O gargalo que sobrou foi o registro do que acontece dentro do consultório", diz Claudio Franco, CEO e cofundador da empresa, em entrevista exclusiva à EXAME.

Colocar uma IA para ouvir uma consulta médica é um salto de confiança bem maior do que automatizar uma cobrança ou um agendamento — mas, segundo Franco, esse degrau já tinha sido vencido antes do Tom sequer existir. Mais de 3 milhões de prontuários já passaram pela plataforma da Tivita, entre migrados de outros sistemas e criados ali mesmo, palavra por palavra. "Médicos já entregam à plataforma o registro clínico dos pacientes deles, que é o dado mais sensível de toda a operação de uma clínica", afirma.

Ainda assim, a empresa desenhou limites explícitos para o que a IA pode fazer. O Tom não diagnostica, não prescreve, não decide nada sozinho — só escreve um rascunho, que o próprio médico revisa e assina antes de qualquer coisa entrar no prontuário.

"Essa fronteira é uma escolha de produto, não uma limitação técnica que vamos remover depois", diz Franco. As gravações usadas para gerar o texto são apagadas logo depois da transcrição; só o registro final fica guardado.

Para os próximos meses, a empresa tem a meta de alcançar 100 mil horas de consulta transcritas por mês, o equivalente a mais de 11 anos de áudio contínuo rodando todo mês, sem parar. "Contrato assinado diz pouco aqui, porque um escriba clínico só entrega valor se o profissional o usa em toda consulta", diz Franco.

Claudio Franco, CEO da Tivita: a healthtech criou plugins próprios para obrigar a IA a escrever código mais enxuto (Tivita/Divulgação)

O Tom entra em um time que já tem outros dois nomes: a Júlia, que cuida de agendamentos pelo WhatsApp, e a Tais, que resolve burocracia de convênio. Juntos, esses agentes digitais já respondem por cerca de 30% do faturamento recorrente da Tivita — fatia que Franco projeta subir para entre 45% e 50% nos próximos 12 meses. "Cliente que adota um agente tende a adotar outro", diz.

O plano seguinte é mais ambicioso do que apenas vender dentro da própria base de clientes: fazer o Tom funcionar sobre prontuários de qualquer sistema, não só o da Tivita — com foco em hospitais e operadoras de saúde que ainda dependem de plataformas antigas, difíceis e caras de substituir de uma vez.

"O foco está em ambiente hospitalar e em operadora verticalizada, onde existe muita plataforma legada em uso [...] O caminho mais curto é instalar um agente que resolve o registro sobre o que já está lá", afirma Franco.

Fundada em 2023 por Franco e Amilton Paglia, a Tivita captou R$ 32 milhões em 2024, em rodada liderada pelo fundo americano FinTech Collective. Hoje, com mais de mil clientes, já processou mais de R$ 1 bilhão em pagamentos — número que, segundo a própria empresa, deve crescer na mesma velocidade que o hábito de largar a caneta durante a consulta.


Perguntas frequentes

O que é o Agente Digital Tom da Tivita? +

O Tom é um sistema de inteligência artificial que ouve a conversa entre médico e paciente e cria um rascunho do prontuário clínico. A ferramenta permite que o profissional conduza o atendimento sem precisar digitar o registro ao mesmo tempo.

O Tom pode diagnosticar ou prescrever tratamentos? +

Não. O Tom não diagnostica, não prescreve e não toma decisões clínicas; o médico precisa revisar e assinar o texto antes que ele entre no prontuário. Claudio Franco, CEO e cofundador da Tivita, afirma que essa restrição é uma escolha permanente de produto.

O que acontece com as gravações das consultas? +

As gravações são apagadas logo após a transcrição, e apenas o registro final permanece armazenado. Segundo Claudio Franco, mais de 3 milhões de prontuários já passaram pela plataforma da Tivita.

Qual é a meta da Tivita para o Agente Digital Tom? +

A Tivita pretende alcançar 100 mil horas de consultas transcritas por mês. O volume equivale a mais de 11 anos de áudio contínuo processados a cada mês.

Quais outros agentes digitais a Tivita oferece? +

A Tivita oferece a Júlia, que cuida de agendamentos pelo WhatsApp, e a Tais, voltada a tarefas de convênios. Os agentes representam cerca de 30% da receita recorrente, fatia que pode alcançar entre 45% e 50% nos próximos 12 meses, segundo Claudio Franco.

O Tom funcionará com prontuários de outros sistemas? +

A Tivita planeja adaptar o Tom para operar sobre prontuários externos à sua plataforma. Segundo Claudio Franco, o foco está em hospitais e operadoras de saúde que utilizam sistemas antigos e difíceis de substituir.


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