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A expansão da inteligência artificial aumenta a demanda por data centers e eletricidade (Getty Images/Getty Images)
Redatora
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 06h01.
Treinar e operar sistemas de inteligência artificial exige computadores trabalhando em grande escala, instalados em data centers que precisam de eletricidade continuamente.
O impacto ainda é pequeno diante do consumo total brasileiro, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mas a velocidade de expansão dessas estruturas já entrou no radar do planejamento energético do país.
O Ministério de Minas e Energia e a EPE projetam que o consumo brasileiro de eletricidade chegará a 939 TWh em 2035, no cenário de referência, com crescimento médio de 3,3% ao ano.
O estudo inclui pela primeira vez uma análise específica de grandes cargas como data centers, eletromobilidade e produção de hidrogênio.
Dependendo do cenário, essas cargas especiais podem representar entre 1,2% e 12,9% da demanda projetada para 2035.
A inteligência artificial depende de chips especializados para realizar cálculos em grande quantidade.
Quanto maior a capacidade computacional utilizada, maior tende a ser a necessidade de eletricidade. Há ainda outro consumo importante: o resfriamento dos equipamentos.
A Agência Internacional de Energia estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers pode chegar a cerca de 1.000 TWh em 2026 no cenário de maior demanda. A expansão da IA é um dos fatores que pressionam esse crescimento.
A resposta depende da estrutura do projeto. Uma parte dos custos está diretamente ligada ao próprio consumidor que se conecta à rede.
Nas regras da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) os encargos de conexão são responsabilidade dos usuários e cobrem despesas relacionadas às instalações de conexão, como projeto, equipamentos, operação e manutenção.
Há também os custos gerais do sistema elétrico: a conta de luz dos consumidores inclui geração, transmissão, distribuição, encargos setoriais e tributos.
Obras de expansão da rede podem, portanto, envolver diferentes mecanismos de remuneração e não podem ser tratadas simplesmente como uma despesa exclusiva dos data centers.
A questão ganha importância porque a quantidade de projetos em análise é grande.
Em 2025, a EPE registrou um aumento expressivo nos pedidos de conexão de data centers e passou a acompanhar essas cargas para dimensionar a expansão da transmissão.
O país parte de uma situação particular: sua matriz elétrica tem participação elevada de fontes renováveis, o que pode ser um atrativo para empresas que precisam reduzir a intensidade de carbono de suas operações.
Ainda assim, produzir energia não basta também é necessário conseguir levá-la até onde estão os grandes consumidores.
A EPE já estuda reforços para atender cargas eletrointensivas. No Ceará e no Piauí, por exemplo, foi proposta uma solução de transmissão capaz de viabilizar até 4 GW adicionais para projetos como data centers e plantas de hidrogênio a partir de 2032.
O desafio envolve construir geração, transmissão e conexões capazes de acompanhar uma demanda que pode crescer rapidamente.
Para o Brasil, a expansão dos data centers representa simultaneamente uma oportunidade de investimento e uma pressão adicional sobre o planejamento do sistema elétrico.