Inteligência Artificial

OpenAI investe US$ 252 mi em startup que quer fundir cérebro humano e IA

Empresa lidera a rodada de investimentos na Merge Labs, cofundada por Sam Altman, e entra na disputa com a Neuralink, de Elon Musk

OpenAI lidera aposta de US$ 252 milhões na Merge Labs (Sebastian Gollnow/picture alliance/Getty Images)

OpenAI lidera aposta de US$ 252 milhões na Merge Labs (Sebastian Gollnow/picture alliance/Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 15h40.

Com um aporte de US$ 252 milhões, a OpenAI liderou a rodada seed da Merge Labs, laboratório de pesquisa em interfaces cérebro-computador (BCI) cofundado por seu CEO, Sam Altman. As informações foram divulgadas pela Bloomberg e confirmadas pela empresa nesta quinta-feira, 15.

O aporte foi liderado pela OpenAI em conjunto com a Bain Capital, e contou com a participação de Gabe Newell, cofundador da Valve, e indica a aposta da empresa no desenvolvimento de tecnologias não invasivas para conectar diretamente o cérebro humano a sistemas de IA.

Dados da PitchBook indicam que a rodada está entre as maiores já registradas no setor da neurotecnologia, atrás apenas de uma rodada realizada pela Neuralink, de Elon Musk. A Merge ainda não divulgou sua avaliação de mercado, mas reportagens recentes apontam valuation próximo a US$ 850 milhões.

A OpenAI declarou que o investimento vai além do financeiro, e que pretende colaborar diretamente com a Merge no desenvolvimento de modelos de IA e ferramentas científicas capazes de interpretar sinais cerebrais considerados ruidosos ou limitados.

O que é a Merge Labs?

Criada em meio ao rápido avanço da IA e sua integração aos mais diversos setores, a Merge surge da premissa de que novas formas de interação entre humanos e máquinas serão cada vez mais necessárias.

A proposta, segundo um comunicado da empresa, é criar interfaces capazes de fazer essa conexão de forma direta e "maximizar a capacidade, a autonomia e a experiência humanas".

Diferentemente de concorrentes como a Neuralink, a Merge não aposta em dispositivos implantados diretamente no cérebro. O cofundador da empresa, Mikhail Shapiro, já declarou que a meta é trabalhar com abordagens não invasivas, que interagem com neurônios por meio de moléculas em vez de eletrodos e utilizem tecnologias como ultrassom para transmitir e receber sinais.

"A Merge Labs foi fundada com a ideia de que, ao nos concentrarmos nesses problemas e com recursos adequados, poderíamos resolvê-los mais rapidamente", disse.

A empresa também destaca a busca por interfaces que suportem a transferência de uma grande quantidade de dados. Shapiro também pontuou que aumentar essa capacidade é necessário para permitir formas de interação que, hoje, são limitadas pelas estruturas tradicionais dos computadores e outros dispositivos.

Com apenas 50 funcionários, a Merge não tem presidente nem CEO. Ela conta com um conselho, do qual Altman participa a título pessoal, o que permite que ele mantenha o cargo mesmo se deixar a presidência da OpenAI.

À Bloomberg, um porta-voz da Merge afirmou que ainda é cedo para definir produtos finais e que não tem planos imediatos para levantar novos recursos enquanto desenvolve suas tecnologias.

Integração entre biologia e IA ganha destaque entre empresas do setor

Com o aporte e as promessas da OpenAI, a Merge reforça sua posição na corrida iniciada por Elon Musk em 2016, quando fundou a Neuralink — e a rivalidade dele com Altman, de quem já foi um parceiro comercial próximo.

Pioneira no setor de BCIs, a Neuralink desenvolve implantes invasivos, com fios ultrafinos inseridos no cérebro cirurgicamente, e já realizou testes em humanos com paralisia.

Em 2025, a Neuralink levantou US$ 650 milhões e foi avaliada em US$ 9 bilhões. Para se diferenciar da concorrente, a Merge aposta em tecnologias não invasivas e mira, no longo prazo, em dispositivos que se aproximem de produtos de consumo — e não equipamentos clínicos.

No geral, o setor de BCIs já arrecadou mais de US$ 2 bilhões em investimentos nos EUA. A China tem iniciativas semelhantes, muitas com o apoio do governo, enquanto outras apostam em soluções externas e com potencial de serem mais acessíveis ao público, como fones de ouvido.

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