Inteligência Artificial

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O que o recente Nobel de Economia ensina sobre a inteligência artificial?

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Philippe Aghion, um dos vencedores, identifica três desafios que podem parar o progresso: monopólios de IA, sustentabilidade e mercados fechados (Getty Images). (Getty Images)

Philippe Aghion, um dos vencedores, identifica três desafios que podem parar o progresso: monopólios de IA, sustentabilidade e mercados fechados (Getty Images). (Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 15 de outubro de 2025 às 11h11.

A questão mais frequente sobre a inteligência artificial é se ela destruirá a humanidade. A resposta, segundo especialistas, é não. Embora exista um risco teórico de que as máquinas saiam do controle, a principal preocupação está no ritmo acelerado de sua adoção, que pode não dar tempo para a sociedade se ajustar.

Instituições, mercados de trabalho e sistemas políticos evoluem mais lentamente que as tecnologias. Se esses atritos se acumularem, podem levar à instabilidade social — o verdadeiro início de futuros distópicos.

O Prêmio Nobel de Economia de 2025, concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, reforça essa ideia, mostrando como a inovação impulsiona o crescimento, mas também cria conflitos que precisam ser gerenciados.

A tensão entre avanço tecnológico e disrupção social não é nova. Durante a Revolução Industrial, os luditas, trabalhadores têxteis ingleses, destruíram máquinas que ameaçavam seus meios de subsistência, resistindo à precarização das condições de trabalho. Hoje, os debates sobre a inteligência artificial ecoam sentimentos semelhantes.

De um lado, os apocalípticos temem o risco existencial de sistemas poderosos que escapem do controle humano. Do outro, os aceleracionistas veem a rápida implementação da inteligência artificial como inevitável e desejável. Entre esses extremos, a preocupação pragmática é a capacidade de adaptação da sociedade, com mudanças de empregos, pressão sobre as instituições e concentração de poder em poucas empresas.

O Comitê do Nobel concedeu o prêmio de economia a Mokyr, da Northwestern University, Aghion, do Collège de France, INSEAD e London School of Economics, e Howitt, da Brown University, por explicarem o crescimento econômico impulsionado pela inovação.

Seu trabalho coletivo ilustra por que os últimos dois séculos produziram um crescimento sustentado. Mokyr destacou como a abertura cultural a novas ideias iniciou a Revolução Industrial.

Aghion e Howitt formalizaram o processo em seu influente modelo de destruição criativa de 1992, mostrando como a inovação simultaneamente cria e destrói, com novos produtos deslocando os antigos e forçando uma renovação contínua.

Em sua entrevista após o anúncio, Aghion enfatizou que o crescimento não pode ser considerado garantido e identificou três desafios urgentes para o futuro. O primeiro é manter os mercados abertos, pois a inovação prospera com a competição e barreiras protecionistas a retardam.

O segundo é garantir a sustentabilidade, alinhando o progresso tecnológico aos limites do planeta e direcionando a inovação para tecnologias verdes. O terceiro desafio é prevenir a concentração de poder, pois se os recursos para a inteligência artificial — dados, capacidade computacional e talento — ficarem concentrados em monopólios, o dinamismo da destruição criativa falhará.

O Nobel de Economia deste ano ressalta que a inovação não se executa sozinha. Ela exige instituições, políticas e condições culturais que permitam o florescimento de ideias enquanto gerenciam a disrupção.

O progresso não exige congelar a inovação nem abraçá-la sem controle, mas sim governá-la com sabedoria. Isso significa criar salvaguardas sem sufocar a descoberta, promover a competição sem ignorar os riscos e alinhar o avanço tecnológico com a sustentabilidade e a coesão social. O teste para nossa geração é gerenciar a próxima onda de destruição criativa de forma que fortaleça, e não fragmente, a sociedade.

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