Inteligência Artificial

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O que faz o Autopilot, da Microsoft, que promete IA trabalhando 24 horas por dia

A "super app" que junta Word, Excel, criação de programas por texto e um agente que trabalha sozinho chega em meio a uma corrida em que Anthropic, OpenAI e Google já fundiram chat e automação nos próprios aplicativos

Satya Nadella; CEO Microsoft em evento da Microsoft na cidade de São Paulo. (Leandro Fonseca/Exame)

Satya Nadella; CEO Microsoft em evento da Microsoft na cidade de São Paulo. (Leandro Fonseca/Exame)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 08h59.

Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 10h34.

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A Microsoft apresentou nesta quinta-feira, 25, uma reformulação profunda do Copilot, transformando-o num aplicativo único que junta conversa com IA, edição de Word, Excel e PowerPoint, criação de pequenos programas por comando de texto e um agente capaz de continuar trabalhando depois que o usuário fecha o computador.

Praticamente nada disso chega hoje, a maior parte começa em programa de acesso antecipado nas próximas semanas, e a parte mais robusta passa a ser cobrada por uso, não por assinatura fixa.

Há um detalhe que resume bem a distância entre o discurso original da Microsoft e onde ela chegou. Em março de 2023, ao apresentar o Microsoft 365 Copilot pela primeira vez, o CEO Satya Nadella explicou o nome do produto por contraste: diferente de um "piloto automático", a IA decidindo sozinha, sem ninguém olhando, um "copiloto" manteria o humano no comando o tempo todo.

Três anos depois, o Copilot ganhou uma aba chamada, sem ironia nenhuma, Autopilot: um agente com identidade, memória e espaço de trabalho próprios, que monitora canais, acompanha conversas, executa tarefas recorrentes e retoma projetos dias depois, sem esperar comando de ninguém.

O produto nasceu, aliás, de uma fonte inesperada: segundo reportagem da GeekWire, o Autopilot é herdeiro direto dos experimentos da Microsoft com o OpenClaw, agente pessoal de código aberto que viralizou no início do ano, o mesmo que Nadella, em março, havia classificado publicamente como risco de segurança "parecido com um vírus".

O app é dividido em três frentes

Home é o novo ponto de partida, onde o Chat conversacional e o Cowork, modo para tarefas delegadas de ponta a ponta, como responder uma RFP ou montar um kit de lançamento, se juntam num só lugar, junto com edição real de Word, Excel e PowerPoint dentro do próprio Copilot.

Code leva a criação de pequenos aplicativos, painéis e automações para além do time técnico: qualquer pessoa descreve o que precisa em linguagem natural, e o sistema constrói, hospedando o resultado com segurança dentro do ambiente da empresa. E o já citado Autopilot, antigo Scout, é o agente persistente e proativo, hospedado na nuvem, que continua rodando mesmo com o usuário longe do teclado.

Do lado financeiro, a Microsoft separou os dois tipos de gasto: uma licença de assinatura fixa cobre o uso cotidiano, chat, Office, respostas rápidas, enquanto Cowork, Code, Autopilot e os modelos de fronteira mais avançados passam a ser cobrados por uso (Usage-based billing).

É nesse ponto que aparece um detalhe pouco comentado: entre os modelos "de fronteira" citados no anúncio estão o Astra, da OpenAI, e o Fable, da Anthropic, ou seja, a Microsoft segue operando como fornecedora neutra de infraestrutura, vendendo acesso pago à tecnologia das duas maiores rivais entre si, mesmo competindo diretamente com produtos de ambas.

Uma corrida que todo mundo está correndo ao mesmo tempo

O movimento não surpreende quem acompanha o setor: como a EXAME já mostrou, a Microsoft vem concentrando esforço no Copilot corporativo em vez de tentar competir diretamente com o ChatGPT no mercado de consumo, e o padrão de consolidar chat, automação e programação num único aplicativo se repete entre as concorrentes quase ao mesmo tempo.

A própria Anthropic uniu seu Cowork ao aplicativo principal do Claude ainda este mês, com o lançamento do Claude Docs; a OpenAI incorporou o Codex diretamente ao ChatGPT; e o Google vem agregando recursos como pesquisa aprofundada e navegação dentro do próprio Gemini.

Nenhuma das quatro maiores empresas de IA do mundo, hoje, ainda separa "assistente de conversa" de "assistente que executa trabalho".

Há também um argumento de eficiência por trás da mudança: segundo a própria Microsoft, o desenho multi-modelo do Cowork (que escolhe automaticamente qual IA usar para cada tarefa, em vez de depender de um único modelo fixo) já se mostrou de 30% a 40% mais barato do que rodar tudo com um modelo só — número que ajuda a justificar por que cobrar por uso, e não por assinatura fixa, faz sentido econômico para a própria empresa à medida que o trabalho de IA fica mais pesado e mais caro de processar.

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