Inteligência Artificial

Nvidia redesenha chips especialmente para China após novas restrições dos EUA

CEO Jensen Huang promete amostra de novo chip ainda em junho, após bloqueio que pode custar US$ 5,5 bi à empresa

Jensen Huang: CEO da Nvidia (PATRICK T. FALLON/Getty Images)

Jensen Huang: CEO da Nvidia (PATRICK T. FALLON/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 2 de maio de 2025 às 11h15.

Última atualização em 2 de maio de 2025 às 11h17.

A Nvidia informou a grandes clientes chineses que está redesenhando seus chips de inteligência artificial para que possam ser vendidos na China sem violar regras de exportação dos Estados Unidos, segundo revelou o site The Information nesta sexta-feira, 2.

A medida busca contornar as novas limitações impostas por Washington em abril, que passaram a impedir a exportação do chip H20, o principal modelo que a Nvidia ainda podia comercializar legalmente no país asiático. A restrição pode resultar em perdas de até US$ 5,5 bilhões para a empresa, segundo estimativas da própria companhia.

Entre os grupos que foram informados sobre os planos da fabricante estão as gigantes chinesas Alibaba, ByteDance — controladora do TikTok —, e Tencent. Três fontes com conhecimento direto das conversas relataram que o CEO da empresa, Jensen Huang, tratou do assunto pessoalmente durante sua visita a Pequim, em meados de abril.

Huang teria comunicado aos parceiros que a Nvidia deve disponibilizar um protótipo do novo chip adaptado já em junho. O executivo também afirmou que a companhia continua desenvolvendo uma versão específica para a China da sua nova geração de chips, chamada Blackwell, conforme apuração do The Information.

A Nvidia preferiu não comentar a reportagem. O Departamento de Comércio dos EUA, Alibaba, ByteDance e Tencent também não responderam aos questionamentos da Reuters até a publicação desta matéria.

Chips “no limite” das regras

Desde que o governo americano ampliou as restrições ao envio de chips de alto desempenho para a China, a Nvidia tem apostado em projetos "sob medida" para atender o mercado chinês — hoje um dos principais consumidores de hardware de IA do mundo.

A estratégia da empresa tem sido desenvolver componentes que fiquem o mais próximo possível dos limites técnicos impostos pelas autoridades norte-americanas, sem ultrapassá-los. Os modelos anteriores, como o A800 e o H800, foram criados com essa lógica, mas acabaram também bloqueados em novas rodadas de sanções.

A tensão comercial entre EUA e China na área de inteligência artificial se intensificou com o avanço das capacidades computacionais chinesas. Para o governo americano, restringir o acesso chinês aos chips mais potentes é essencial para manter a vantagem tecnológica ocidental no setor.

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