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Ellen Kiss: diretora do Centro de Excelência em Design do Nubank (Nubank/Reprodução)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de junho de 2026 às 19h06.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 20h17.
*SAN FRANCISCO - O Nubank foi um dos nomes em destaque no Config, conferência anual do Figma realizada em San Francisco, onde a empresa de design reúne mais de 10.000 pessoas e exibe os clientes que melhor usam sua plataforma.
E foi ali, num painel sobre como o banco usa tecnologia, que Ellen Kiss, diretora do Centro de Excelência em Design do Nubank, deu uma declaração que ilumina um lado pouco comentado da corrida da inteligência artificial: o que ela está fazendo com as contratações.
"Estamos procurando pessoas que tenham uma mentalidade voltada para IA."
A executiva foi enfática ao separar duas coisas que costumam ser confundidas no debate atual. Segundo ela, o plano de contratações do Nubank não encolheu — o que mudou foi o perfil de quem entra.
"Não estamos contratando menos. Estamos, na verdade, contratando de forma diferente", disse.
A justificativa é que a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta pontual para virar parte da estratégia. "A IA passou a estar tão integrada à nossa estratégia que hoje priorizamos IA em praticamente tudo, especialmente nas contratações", afirmou.
O ponto mais revelador da fala é onde essa lógica já se aplica internamente. A executiva contou que a tecnologia entrou em processos sensíveis da gestão de pessoas — da própria contratação a recompensas e avaliações de desempenho. "Ela se tornou um componente importante na forma como administramos a empresa", disse.
Para o CEO da Figma, o código virou material do designer - e isso pode assustar os devs
A exigência por uma "mentalidade de IA" não nasce no vácuo. Ela vem de uma empresa que transformou design e tecnologia em vantagem competitiva e que opera, hoje, em escala continental: o Nubank atende mais de 118 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia.
Para sustentar essa expansão sem perder consistência, o banco construiu seu design system, que compõe os elementos gráficos usados nas telas do aplicativo, o NuDS, inteiramente dentro do Figma, a plataforma de design que abriu capital em 2025 e virou padrão entre as grandes empresas de tecnologia.
Segundo um estudo de caso publicado pelo próprio Figma, mais de 200 designers do Nubank trabalham na ferramenta nos três países, e o sistema reúne mais de 100 componentes reutilizáveis e cerca de 320.000 linhas de código, profundamente integrado às áreas de engenharia e produto.
Os números de adoção dão a dimensão da maturidade dessa operação. Uma auditoria recente apontou que 80% das telas do aplicativo já estão totalmente alinhadas ao NuDS, e o índice de satisfação interna com o sistema (medido por NPS) dobrou em um ano.
Mudanças que antes levariam semanas passaram a sair em um único ciclo de trabalho: a empresa relata ter implementado uma nova identidade visual para contas empresariais em apenas um sprint. "Um dos nossos principais objetivos com o crescimento é garantir uma experiência consistente entre os mercados", afirmou a executiva em estudo de caso publicado pela próprio Figma.
É justamente sobre essa base que a inteligência artificial avança. O Nubank vem testando o Figma Make, ferramenta de design baseada em IA, para acelerar prototipagem e validação com usuários, etapas que, até aqui, dependiam de uma colcha de ferramentas externas. A leitura interna é que consolidar esse fluxo num único ambiente, com IA no meio do caminho, pode mudar a forma como o banco pesquisa e testa ideias.
*O jornalista viajou a convite da empresa.