Inteligência Artificial

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Portas abertas: como os modelos de IA de código aberto estão democratizando o acesso à tecnologia

Gratuitos ou de baixo custo, os modelos de código aberto estão permitindo que startups, pesquisadores e pequenas empresas desenvolvam soluções de inteligência artificial sem depender exclusivamente das gigantes de tecnologia

Modelos de IA de código aberto permitem que empresas desenvolvam soluções próprias com mais autonomia e custos reduzidos (Imagem gerada por IA/Exame)

Modelos de IA de código aberto permitem que empresas desenvolvam soluções próprias com mais autonomia e custos reduzidos (Imagem gerada por IA/Exame)

Publicado em 18 de julho de 2026 às 06h08.

Nem toda inteligência artificial depende de uma assinatura mensal ou da infraestrutura de uma grande empresa de tecnologia.

Nos últimos anos, um número crescente de modelos de IA de código aberto passou a oferecer uma alternativa para desenvolvedores, pesquisadores e empresas que desejam criar soluções próprias, personalizar aplicações e reduzir custos.

A diferença está justamente na forma como essas tecnologias são distribuídas. Enquanto ferramentas proprietárias, como ChatGPT, Gemini e Claude, funcionam em plataformas controladas por suas desenvolvedoras, modelos de código aberto disponibilizam seus pesos, documentação e, em muitos casos, parte do código para que outras organizações possam utilizá-los e adaptá-los às próprias necessidades.

O movimento vem ganhando força. Um levantamento da Linux Foundation Research mostra que quase 90% das organizações que utilizam inteligência artificial já recorrem a modelos de código aberto, principalmente pela economia e pela flexibilidade que oferecem.

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O que significa uma IA de código aberto?

Na prática, modelos de código aberto permitem que empresas ou desenvolvedores executem a inteligência artificial em sua própria infraestrutura ou personalizem seu funcionamento para tarefas específicas.

Isso significa que uma startup pode criar um chatbot treinado com seus próprios documentos, uma universidade pode desenvolver ferramentas voltadas à pesquisa e uma empresa pode construir assistentes internos sem depender totalmente de serviços oferecidos por grandes provedores.

Entre os modelos mais conhecidos estão o Llama, da Meta, além de projetos como Mistral, DeepSeek e Qwen, que ganharam espaço na comunidade de desenvolvedores nos últimos anos.

Menos custo, mais liberdade

O fator financeiro aparece como um dos principais motivos para essa expansão. Segundo o estudo da Linux Foundation Research, dois terços das empresas afirmam que utilizar modelos abertos é mais barato do que recorrer exclusivamente a soluções proprietárias.

Os pesquisadores estimam, inclusive, que, sem essas alternativas, os custos poderiam ser cerca de 3,5 vezes maiores. Além da economia, existe outra vantagem importante: a independência tecnológica.

Ao utilizar um modelo aberto, empresas podem definir onde os dados serão armazenados, quais informações serão utilizadas no treinamento e como a inteligência artificial será integrada aos seus sistemas internos.

Isso reduz a dependência de um único fornecedor e oferece maior controle sobre a tecnologia.

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Como isso beneficia empresas brasileiras

No Brasil, a popularização desses modelos abre espaço principalmente para startups, pequenas empresas e centros de pesquisa, que muitas vezes não possuem orçamento para contratar soluções corporativas de alto custo.

Em vez de desenvolver uma inteligência artificial do zero, processo que exige bilhões de parâmetros e enorme capacidade computacional, equipes podem adaptar modelos já existentes para atender demandas específicas, como atendimento ao cliente, análise de documentos, automação de processos ou pesquisa científica.

Essa flexibilidade também acelera a inovação. Novos produtos podem ser desenvolvidos em menos tempo e com investimento significativamente menor.

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A expansão da IA de código aberto também está influenciando o mercado de trabalho. À medida que mais empresas adotam esses modelos, cresce a procura por profissionais capazes de implementá-los, personalizá-los e mantê-los em operação.

O próprio relatório da Linux Foundation destaca que habilidades relacionadas à inteligência artificial tendem a aumentar a remuneração dos profissionais e reforça a necessidade de capacitação para acompanhar essa transformação.

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