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Meta entra na guerra da IA para programação e mira Anthropic e OpenAI

Lançamento do Muse Spark 1.1 mira tarefas de código, agentes autônomos e adoção entre ferramentas de desenvolvedores

Alexandr Wang: jovem foi contratado pela Meta para liderar iniciativa de IA da empresa

Alexandr Wang: jovem foi contratado pela Meta para liderar iniciativa de IA da empresa

Publicado em 9 de julho de 2026 às 14h31.

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, entrou de vez na disputa pelo mercado de inteligência artificial (IA) voltada à programação, em uma tentativa de alcançar as líderes do setor, a Anthropic e a OpenAI.

A empresa lançou nesta quinta-feira, 9, o Muse Spark 1.1, descrito como seu modelo mais forte para tarefas de código e de agentes autônomos, informou o diretor de IA da companhia, Alexandr Wang, à CNBC.

O movimento vem acompanhado de uma mudança de estratégia: pela primeira vez, a Meta vai cobrar dos desenvolvedores pelo acesso ao seu modelo de IA.

É a primeira interface de programação (API) paga da história da empresa, uma virada para quem construiu sua reputação em IA distribuindo modelos de código aberto.

Uma aposta agressiva no preço

A arma da Meta para brigar com as rivais é o custo.

Wang classificou o preço do Muse Spark 1.1 como "muito agressivo e atraente" na comparação com ofertas semelhantes de laboratórios como Anthropic e OpenAI. Cada nova conta de API começa com US$ 20 em créditos gratuitos.

A partir daí, a empresa cobra US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 por milhão de tokens de saída — as unidades de texto que servem de base para o faturamento das IAs.

O valor fica abaixo do preço do Claude Sonnet 4.6, modelo da Anthropic, mas acima das opções de entrada das duas concorrentes. "O objetivo é ter um preço atraente que escale com o consumo intenso", afirmou Wang.

A reviravolta do código aberto

O lançamento marca uma guinada filosófica para a Meta. Durante anos, a empresa apostou em liberar gratuitamente sua família de modelos Llama para a comunidade de código aberto, com o argumento de que isso beneficiava o ecossistema e enfraquecia o domínio dos concorrentes de modelos fechados.

Agora, o Muse Spark 1.1 é proprietário e de código fechado, acessível apenas pelos aplicativos da Meta ou pela API paga.

Wang afirmou que a empresa segue "comprometida com o código aberto" e que sua divisão desenvolve uma variante do modelo que pretende, sim, abrir — mas não disse quando isso aconteceria.

A pressão sobre Zuckerberg

Mark Zuckerberg: ele largou a universidade, mas foi uma exceção. Segundo estudo da McKinsey, 95% dos fundadores de unicórnios nos Estados Unidos concluíram o ensino superior

Zuckerberg: CEO da Meta estava sendo cobrado sobre IA da empresa (Chris Unger/Zuffa LLC/Getty Images)

Por trás da ofensiva está a cobrança do mercado financeiro.

O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, vem sendo pressionado por Wall Street a mostrar retorno sobre o investimento bilionário da empresa em infraestrutura e desenvolvimento de IA.

Embora gaste no mesmo ritmo de suas concorrentes de grande porte, a Meta não tem um negócio de infraestrutura em nuvem — que ainda pretende criar — e ficou para trás de OpenAI, Anthropic e Google no desenvolvimento de modelos e aplicativos de IA populares. Exigir pagamento pelo acesso ao novo modelo é parte do esforço para diversificar a receita e transformar a pesquisa de IA em fonte de faturamento.

O domínio da Anthropic

A disputa que a Meta agora encara tem uma líder folgada.

A Anthropic disparou à frente no mercado de programação com IA, em boa parte graças ao Claude Code, seu assistente de código, que se tornou o modelo padrão das ferramentas de programação assistida por IA em 2025 e 2026.

A OpenAI, por sua vez, deslocou parte de seu foco para o segmento corporativo, onde seu Codex disputa diretamente com o Claude Code.

Para tentar furar essa dominância, a Meta anunciou parceiros iniciais como Replit, Cline e Box, e afirma que o Muse Spark 1.1 rivaliza com o GPT-5.5, da OpenAI, e o Opus 4.8, da Anthropic, em testes de tarefas de agentes, com uma janela de contexto de 1 milhão de tokens.

A companhia treinou o modelo para funcionar com as ferramentas mais populares entre desenvolvedores, numa estratégia declarada de maximizar a adoção.

A vantagem que a Meta traz para a mesa já é quase clichê: o acesso a bilhões de usuários já instalados em seus aplicativos.

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