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IA chegou a 53% da população em 3 anos, mas as empresas ainda engatinham (Adobe Stock)
Jornalista
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 17h51.
A inteligência artificial generativa alcançou 53% de adoção da população mundial em apenas três anos, segundo o AI Index 2026, relatório do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano da Universidade Stanford. A velocidade supera a registrada pelo computador pessoal e pela internet em suas fases iniciais de popularização.
O avanço, porém, não significa que a tecnologia esteja plenamente incorporada ao trabalho. Entre experimentar ferramentas gratuitas e transformar a inteligência artificial em resultados concretos, empresas ainda enfrentam desafios de capacitação, integração e governança.
A facilidade de acesso ajuda a explicar a expansão. Ferramentas de IA generativa permitem produzir textos, resumir documentos, organizar informações e criar imagens por meio de comandos em linguagem natural, sem exigir conhecimentos avançados de programação.
Diferentemente de tecnologias que dependem de instalações complexas ou investimentos iniciais elevados, muitos desses recursos estão disponíveis gratuitamente ou integrados a programas já utilizados no cotidiano.
O relatório da Stanford também destaca o valor econômico gerado para os consumidores. Nos Estados Unidos, o benefício anual estimado para usuários de ferramentas de IA generativa chegou a US$ 172 bilhões no início de 2026, considerando o valor que obtêm dos serviços em relação ao que pagam por eles.
A adoção, entretanto, varia entre países e grupos sociais. O percentual global não significa que 53% dos trabalhadores usem IA diariamente ou que todas as regiões tenham avançado no mesmo ritmo.
A adoção individual não garante uma transformação nos processos de trabalho. Um profissional pode utilizar um chatbot para resumir um relatório ou preparar uma apresentação, mas isso não significa que a empresa tenha integrado a tecnologia aos seus sistemas, fluxos de aprovação e critérios de qualidade.
O desafio é passar do uso pontual para uma aplicação consistente. Isso exige identificar tarefas adequadas à automação, definir responsabilidades e avaliar se os resultados compensam os custos envolvidos.
Um levantamento da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, com mais de 800 líderes empresariais, identificou um aumento no uso semanal de IA generativa, de 37% em 2023 para 72% em 2024. Apesar da expansão, as empresas ainda relatavam dificuldades para determinar o retorno sobre o investimento e ampliar os casos de uso bem-sucedidos.
O cenário mostra que experimentar não é o mesmo que transformar. A tecnologia pode acelerar atividades específicas sem necessariamente provocar mudanças estruturais na operação.
Um dos principais obstáculos é a capacitação. Disponibilizar uma ferramenta para os funcionários não garante que eles saibam formular bons comandos, verificar respostas ou identificar situações em que a tecnologia não é adequada.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode usar IA para organizar dados de uma campanha e sugerir alternativas de conteúdo. Ainda assim, precisa conferir as informações, avaliar a adequação das sugestões e tomar decisões com base nos objetivos do negócio.
Em finanças, a ferramenta pode ajudar a estruturar relatórios, mas os números e as conclusões exigem validação. Em recursos humanos, pode apoiar a redação de descrições de vagas, sem substituir os critérios necessários para decisões de contratação.
Outro desafio é a governança da inteligência artificial, que reúne regras para o uso seguro e responsável da tecnologia. Sem orientações claras, funcionários podem compartilhar informações confidenciais em ferramentas externas ou utilizar respostas incorretas sem perceber.
As empresas também precisam definir indicadores para avaliar os resultados. Tempo economizado, redução de erros, qualidade das entregas e custos operacionais são exemplos de métricas que ajudam a verificar se uma aplicação realmente funciona.
Para quem trabalha, aprender a utilizar IA é uma forma de acompanhar mudanças nas atividades e identificar oportunidades de produtividade. O primeiro passo é reconhecer tarefas repetitivas ou que exigem organizar grandes volumes de informação.
Depois, vale testar ferramentas em atividades de baixo risco, comparar os resultados com o método tradicional e verificar a precisão das respostas. Informações confidenciais ou dados de clientes não devem ser compartilhados sem autorização e sem verificar as regras aplicáveis.
Também é importante desenvolver competências que complementem a tecnologia, como pensamento crítico, comunicação, conhecimento técnico da própria área e capacidade de interpretar dados.
A expansão da inteligência artificial cria oportunidades, mas seus efeitos dependem de como pessoas e organizações incorporam os recursos à rotina. Para os profissionais, saber usar e avaliar a IA tende a ser mais relevante do que apenas conhecer os nomes das ferramentas.