Carreira

Um ano depois da China, o que mudou na vida dos vencedores do Prêmio Na Prática

De mudança de tema de doutorado a parceria com Stanford, prêmio de universitários segue gerando desdobramentos na carreira dos vencedores

As melhores universidades brasileiras (Thinkstock)

As melhores universidades brasileiras (Thinkstock)

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 16h25.

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Ganhar uma viagem à China foi só o começo. Um ano depois de vencerem a primeira edição do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário, os seis premiados contam que a experiência continuou mudando planos de carreira, linha de pesquisa e até o rumo de projetos que pareciam prontos para serem encerrados.

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Um doutorado inteiro reescrito

O caso mais radical é o de Pedro Docema, estudante de medicina da USP e vencedor nacional da edição. Antes da viagem, ele já tinha um projeto de doutorado pronto sobre saúde humanitária. 

Ao voltar da China, decidiu recomeçar do zero, mudando o tema para governança territorial. "Simplesmente na prática conseguiu me mostrar de forma muito profunda caminhos ainda não tão explorados na realidade brasileira", disse.

Hoje Pedro coordena um grupo de estudos sobre vulnerabilidade, governança e cidadania com apoio do professor Paulo Saldiva, referência em saúde ambiental, reunindo 34 pesquisadores brasileiros e cinco internacionais, com o primeiro ciclo de seminários previsto para setembro. O projeto vai usar a Ilha de Marajó, no Pará, como estudo de caso.

De pesquisa a parceria com Stanford

Gabriela Mendanha, da PUC Goiás, também teve o rumo da própria pesquisa alterado por um insight tido durante uma visita técnica na China. 

O novo recorte, sobre uso de rede neural para diagnóstico por imagem de retina, chamou atenção de pesquisadores de Stanford, que convidaram a estudante a integrar um projeto na universidade americana, com apoio financeiro incluído. "Eu tenho certeza que na prática teve uma grande porcentagem nesse sucesso", resumiu.

Reconhecimento que abriu porta em casa

Para Gabriela, o impacto também apareceu de forma mais imediata. A repercussão do prêmio, incluindo espaço na revista Exame, rendeu contato direto com a direção da própria faculdade, algo que os próprios projetos desenvolvidos ali dentro não haviam conseguido antes. 

O reconhecimento também ajudou a abrir portas em negociações de parceria posteriores, segundo a estudante.

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Carreira redesenhada, mesmo sem trocar de projeto

Nem todo mundo mudou de rumo de forma tão evidente. Hugo, engenheiro de energia formado pela Universidade Federal do Pará, manteve o mesmo projeto de gestão de estoque que o levou ao prêmio, mas o expandiu para outras áreas da empresa e criou novos indicadores de acompanhamento. 

A mudança mais significativa, segundo ele, foi de visão de carreira. "Hoje eu já aspiro isso mais do que eu aspirava antes, inclusive dentro da faculdade", disse, referindo-se a planos de crescimento profissional de longo prazo.

Naomi Ferreira, que se forma em medicina pela Universidade Federal do Ceará neste ano, também descreve o prêmio como um divisor de águas de autoconhecimento. A estudante trocou a especialização médica que pretendia seguir, hoje mirando medicina de família e comunidade, e começou a preparar sucessores para dar continuidade ao projeto que criou, a Missão Mulher Saudável.

Projetos que continuam de pé, mesmo sem quem os criou

Passar a liderança adiante apareceu como ponto em comum entre os vencedores. Emily, que trabalhou no desenvolvimento de um satélite lançado neste mês pela agência espacial francesa, também deixou de coordenar diretamente o projeto educacional que criou para escolas públicas, mas segue ativa treinando novos responsáveis. 

Naraiane, do ITA, fez o mesmo com o curso de introdução ao setor aeroespacial que criou, hoje ampliado para atender também estudantes de graduação, enquanto se prepara para tentar uma pós-graduação na China.

Já Pedro, o vencedor nacional, entregou de vez a liderança da Bandeira Científica ao sucessor, projeto que segundo ele ganhou fôlego financeiro suficiente para expandir sozinho. Para ele, essa desvinculação é o maior sinal de que o trabalho deu certo.

O Na Prática convoca todos os estudantes entre 18 e 34 anos para concorrer à esse prêmio

O Na Prática nasceu como uma plataforma educacional criada para impulsionar a carreira de jovens, do estágio à liderança, complementando o ensino universitário com uma formação voltada para o mercado de trabalho.

Pensando nesse propósito, a instituição criou o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário. Com cinco ganhadores, um de cada estado, ele é o primeiro reconhecimento nacional com recorte regional focado exclusivamente em estudantes de alto desempenho prático e acadêmico.

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  • Rede de contatos com jovens brilhantes 
  • Visibilidade na imprensa e nas redes sociais 

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