Harry e Meghan: segundo a imprensa, o duque de Sussex vai deixar os EUA em busca de uma reaproximação com o pai (AFP/AFP)
Repórter
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 16h45.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 17h23.
O príncipe Harry e a duquesa Meghan Markle se preparam para deixar os Estados Unidos e voltar a morar no Reino Unido, segundo divulgado pelo tabloide britânico The Sun. O movimento acontece poucos meses após ele dizer que não conseguia "imaginar um mundo" em que levasse a esposa e os filhos de volta ao país.
A mudança marca o fim de um capítulo que começou em março de 2020, quando o casal deixou oficialmente a vida real e se instalou na Califórnia, episódio batizado pela imprensa britânica de "Megxit".
Na época, a saída foi lida como o desfecho de uma crise que misturava rusgas internas na família real, uma cobertura hostil por parte da imprensa e um público que já não escondia a irritação com as críticas do casal à monarquia.
Segundo o noticiário britânico, o duque de Sussex, hoje com 41 anos, deixaria os EUA em busca de uma reaproximação com o pai, o rei Charles III, e com o irmão, o príncipe William. Os dois relacionamentos seguem desgastados desde o rompimento.
Em 2024, ele tenta uma aproximação gradual com o rei. Harry o visitou quando Charles III anunciou o diagnóstico de câncer e voltou a vê-lo em setembro de 2025. Em julho deste ano, o rei e a rainha consorte Camilla receberam Harry, Meghan e os filhos, o primeiro encontro dos quatro em quatro anos, interpretado como um gesto de reconciliação. Com William, porém, a situação segue mais complicada, tanto é que o príncipe herdeiro não comentou publicamente o retorno do irmão.
Harry tinha 12 anos quando comoveu o mundo caminhando atrás do caixão da mãe, a princesa Diana, morta em um acidente de trânsito em Paris em 1997 enquanto fugia de paparazzi.
Já a adolescência, pelo contrário, foi turbulenta. Aos 17 anos já bebia e fumava maconha; aos 19, brigou com um fotógrafo na saída de uma boate; em 2005, se envolveu num escândalo ao se fantasiar de nazista numa festa. "Ele teve uma infância muito difícil", resumiu à BBC o médico Gabor Maté, especialista em trauma infantil.
Depois de um período sabático cuidando de órfãos no Lesoto e indo à Austrália, Harry entrou para a Academia Militar de Sandhurst em 2005 e serviu por dez anos, com duas missões no Afeganistão. Em 2014, criou os Invictus Games, competição internacional para militares feridos.
Ele próprio reconheceu, em entrevista ao Daily Telegraph em 2017, que havia "bloqueado todas as emoções durante 20 anos". Em 2021, contou à Oprah Winfrey que passou quatro anos em terapia, período que coincide com o noivado com Meghan (2017), o casamento (2018) e o nascimento dos filhos.
Rainha Elizabeth II ao lado de Harry e Meghan (Anwar Hussein/WireImage/Getty Images)
Sua história de amor com a atriz americana Meghan, uma mulher negra, parecia destinada a dar um novo sopro de diversidade à monarquia. No entanto, logo surgiram tensões que o levaram a se mudar para a Califórnia e praticamente romper sua comunicação com o pai e o irmão.
O desgaste levou o casal a se mudar para os Estados Unidos em 2020 e, na prática, a romper a comunicação com Charles III e William. Em 2022, no documentário que fizeram para a Netflix, Meghan resumiu a relação com a imprensa britânica.
"Não importava o quanto eu tentasse. Se eu me comportasse bem, fizesse o que fizesse, eles sempre encontravam uma maneira de me destruir”, disse.
Ela despertou rapidamente a hostilidade dos tabloides, que a acusaram de ser caprichosa e de rejeitar as obrigações associadas aos privilégios de sua nova posição.
Desde sua saída, Meghan se distanciou do Reino Unido e só retornou em poucas ocasiões, como em junho de 2022, para o Jubileu da rainha Elizabeth II, e posteriormente para seu funeral, em setembro daquele mesmo ano.
O golpe mais duro veio em 2021, quando o casal deu entrevista a Oprah Winfrey e Meghan acusou um integrante da família real de racismo. Em 2023, a autobiografia de Harry, "O Que Sobra", reabriu feridas ao acusar William e a esposa, Catherine, de terem preconceito contra Meghan. O que, segundo ele, dificultou sua integração à família real.
O resultado, hoje, é uma rejeição no Reino Unido. Segundo pesquisa do instituto YouGov divulgada em julho, 61% dos britânicos dizem não gostar de Meghan.
Nos Estados Unidos, seu programa "With Love, Meghan" não teve continuidade na Netflix, embora ela tenha feito uma breve aparição num filme ainda não estreado no fim de 2025.
Segundo a imprensa britânica, ela também negocia um papel em "Magnatas do Crime", série da Netflix criada por Guy Ritchie e gravada no Reino Unido, cuja segunda temporada estreia em setembro. Especialistas, no entanto, apostam que ela deve priorizar a família, incluindo a rotina escolar de Archie, 7, e Lilibet, 5, que passarão a estudar no Reino Unido, e o papel de apoio ao marido.
Paralelamente às tensões familiares, Harry manteve uma guerra particular contra a imprensa sensacionalista, que ele responsabiliza pela morte da mãe.
Processou grandes grupos de comunicação por uso de métodos ilegais para obter informações sobre sua vida privada, venceu a editora do Daily Mirror em 2023 e fechou acordo com o dono do The Sun em 2025. Neste ano, porém, os tribunais rejeitaram sua ação contra a editora do Daily Mail.