Inteligência Artificial

Google vai usar histórico do Gmail e YouTube do usuário no Gemini

Novo recurso permite que o chatbot raciocine a partir de Gmail, Fotos, Busca e histórico do YouTube; estreia em beta nos EUA para assinantes pagos

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 14h09.

O Google anunciou um dos avanços mais ambiciosos até agora para o Gemini: a chegada da chamada Personal Intelligence, uma camada de personalização que conecta o chatbot diretamente a dados do ecossistema do usuário, como Gmail, Google Fotos, Busca e histórico do YouTube.

A proposta é simples no discurso, mas ampla no impacto: permitir que o Gemini entregue respostas mais úteis ao raciocinar automaticamente sobre informações já existentes na conta do usuário, sem que seja necessário pedir explicitamente para “olhar” um app específico. O recurso é alimentado pelos novos modelos Gemini 3.

Não é a primeira personalização, mas é a mais profunda

Desde setembro de 2023, quando o Gemini ainda se chamava Bard, o Google já vinha testando integrações do chatbot com seus serviços. Também já existe hoje a capacidade de lembrar conversas anteriores.

A diferença agora está no nível de autonomia: com a Personal Intelligence, o sistema pode cruzar dados de diferentes fontes da conta do usuário por conta própria, algo que marca um salto em direção a assistentes realmente contextuais.

O exemplo mais detalhado foi compartilhado por Josh Woodward, vice-presidente do app Gemini, do Google Labs e do AI Studio. Segundo ele, ao perguntar ao Gemini o tamanho do pneu de uma minivan 2019, o chatbot não apenas encontrou a especificação, como:

  • sugeriu opções de pneus para uso diário e para todas as estações;
  • levou em conta viagens familiares identificadas no Google Fotos;
  • buscou avaliações e preços;
  • recuperou a placa do veículo a partir de uma foto;
  • identificou a versão exata do carro ao cruzar informações do Gmail.

Na prática, o Gemini atuou menos como um buscador e mais como um assistente pessoal que entende contexto.

Riscos reconhecidos pelo próprio Google

Woodward admite que, apesar de testes extensivos, o recurso ainda pode gerar:

  • respostas imprecisas;
  • excesso de personalização, conectando assuntos que não têm relação;
  • falhas de tempo e nuance, especialmente em mudanças de vida como divórcios ou interesses que variam ao longo do tempo.

Segundo o executivo, esses pontos já estão no radar da equipe e fazem parte do escopo de ajustes contínuos.

Privacidade, controle e “guardrails”

Na Personal Intelligence, o usuário escolhe quais aplicativos serão conectados ao Gemini. O Google afirma ter criado barreiras de proteção para temas sensíveis e diz que o chatbot evita fazer suposições proativas sobre dados como saúde, embora possa discutir essas informações se o usuário pedir.

Outro ponto enfatizado: o Gemini não treina diretamente com o conteúdo do Gmail ou do Google Fotos. O treinamento ocorre apenas com dados limitados, como os prompts feitos no Gemini e suas respostas.

Disponibilidade: por enquanto, limitada

O recurso estreia em beta, apenas nos Estados Unidos, para assinantes “elegíveis” dos planos Google AI Pro e AI Ultra, e somente para contas pessoais.

O Google afirma que pretende expandir a Personal Intelligence para outros países, para a versão gratuita do Gemini e também para o AI Mode da Busca “em breve”.

No contexto da corrida por assistentes mais úteis e menos genéricos, a estratégia do Google deixa claro o caminho: menos respostas universais, mais contexto pessoal e com todos os desafios técnicos e éticos que isso inevitavelmente traz.

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