Google investe no aprimoramento da interação por voz com IA (Getty Images)
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Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 16h40.
A Google DeepMind está contratando os principais talentos de uma startup especializada em interfaces de voz com inteligência artificial, Hume AI, para um novo contrato de licenciamento, segundo informações da WIRED. Os valores do acordo ainda não foram divulgados.
O CEO da Human AI, Alan Cowen, e mais sete engenheiros de ponta deixam a startup para auxiliar o Google na integração da interação de IA por voz e a detecção de emoções dos usuários aos modelos do DeepMind, em uma aposta do setor para o futuro dos chatbots.
A Hume AI investiu milhões de dólares na criação de sistemas capazes de tornar a interação por voz mais realista e identificar emoções a partir do tom, ritmo e padrão de fala dos usuários, para adaptar a resposta dos chatbots ao estado emocional de quem está interagindo.
A empresa treina seus sistemas com o apoio de especialistas humanos, que anotam sinais emocionais em conversas reais. No Google DeepMind, a nova equipe deve replicar esse conhecimento para ampliar as capacidades dos assistentes de IA.
"A voz vai se tornar a principal interface para a IA, é definitivamente para onde ela está caminhando", diz Andrew Ettiger, investidor e executivo que assume a cadeira de CEO da Hume AI, que deve lançar novos modelos nos próximos meses.
Apesar da saída de parte da liderança, a Hume AI afirma que seguirá operando e fornecendo seus serviços a outros laboratórios de IA. A startup, que já captou US$ 74 em investimentos, mantém seus planos para 2026 — entre eles, alcançar um faturamento de US$ 100 milhões em 2026.
O acordo com a Hume AI fortalece o Google como um competidor ainda mais agressivo da OpenAI, que já possui um modo de voz realista. Além disso, a empresa firmou um acordo com a Apple para que o Gemini seja a plataforma de uma nova versão da Siri.
Além disso, a parceria segue uma tendência recente no setor, em que grandes empresas combinam licenciamento de tecnologia com a contratação de equipes-chave, em acordos que ficam entre parceria e aquisição. O modelo facilita a atração de talentos de alto valor e tem chamado a atenção da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), que sinalizou maior escrutínio sobre as contratações.
Não é o primeiro movimento do Google em busca de melhorias na assistência de IA por voz. Em 2024, o DeepMind teria pago cerca de US$ 3 bilhões para licenciar a tecnologia da Character.ai. Movimentos parecidos incluem a contratação de talentos da Inflection pela Microsoft, a incorporação da equipe da Adept pela Amazon e a contratação do CEO da Scale AI pela Meta.