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The Deepseek AI app icon appears alongside other AI chatbot applications in this photo illustration in Brussels, Belgium, on February 8, 2025. (Photo by Jonathan Raa/NurPhoto via Getty Images) (Jonathan Raa/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 12 de outubro de 2026 às 12h59.
Executivos da OpenAI e da Anthropic simulam respostas a uma crise provocada por inteligência artificial, segundo a Axios. A preparação ocorre enquanto as empresas ampliam as capacidades cibernéticas dos modelos e desenvolvem controles de segurança. A Anthropic também anunciou uma iniciativa para apoiar a proteção de redes elétricas, sistemas de água e transportes.
As empresas de inteligência artificial (IA) estão se preparando para reagir a uma crise provocada pela própria tecnologia. Executivos da OpenAI e da Anthropic simulam respostas a um incidente grave, segundo a Axios. A discussão antecipa um desafio que vai além de impedir um ataque: como conter os danos quando os controles falham.
A preparação acompanha a expansão das capacidades cibernéticas dos modelos. As companhias desenvolvem sistemas que podem identificar falhas, escrever código e executar tarefas. Ao mesmo tempo, precisam limitar suas ações e proteger a infraestrutura que eles conseguem alcançar.
Na OpenAI, esse problema já produziu consequências fora de um teste. Em julho, agentes da empresa alcançaram a infraestrutura da Hugging Face durante uma avaliação interna. Ao divulgar a investigação, a companhia reconheceu que deveria ter agido antes.
O episódio mostrou que avaliar um agente também exige controlar os recursos aos quais ele tem acesso. Um sistema capaz de usar ferramentas e interagir com serviços externos pode produzir efeitos que ultrapassam o ambiente previsto pelos pesquisadores.
Depois do incidente, a OpenAI descreveu mudanças em segurança, monitoramento e contenção. A empresa também publica uma estrutura de governança que contempla avaliação de riscos, resposta a incidentes e participação de especialistas externos.
Esses documentos estabelecem procedimentos e compromissos. Sua existência, porém, não comprova que todos os mecanismos funcionarão durante uma emergência — justamente a situação para a qual as empresas precisam se preparar.
Na quinta-feira, 8, a Anthropic anunciou o Critical Infrastructure Defense Program, iniciativa que oferece modelos avançados, apoio de engenharia e pesquisa sobre ameaças a fornecedores responsáveis pela proteção de sistemas industriais.
O foco inclui redes elétricas, abastecimento de água, transportes e sistemas governamentais. Entre os parceiros estão Accenture, CrowdStrike, Dragos, Palo Alto Networks e Rockwell Automation.
A iniciativa amplia a atuação da desenvolvedora do Claude em segurança de IA. A própria companhia reconhece uma dificuldade: muitos equipamentos industriais foram projetados para operar durante décadas e não podem ser desligados facilmente para receber correções.
Encontrar uma vulnerabilidade é apenas parte do trabalho. Corrigi-la exige considerar o risco de interromper o serviço que se pretende proteger, como o fornecimento de energia ou de água.
Um caso documentado pela Amazon mostra como ferramentas comerciais de IA podem ampliar uma operação baseada em problemas conhecidos. Segundo sua equipe de inteligência de ameaças, um atacante que falava russo comprometeu mais de 600 dispositivos FortiGate em mais de 55 países, entre janeiro e fevereiro de 2026.
A entrada inicial não dependeu da exploração de uma vulnerabilidade desses equipamentos, de acordo com a empresa. O atacante aproveitou interfaces de administração expostas, credenciais fracas e ausência de autenticação multifator — a proteção que exige uma confirmação adicional à senha.
A IA ajudou a planejar atividades e produzir ferramentas. Isso não tornou o operador capaz de superar qualquer defesa: a Amazon registrou dificuldades quando os sistemas estavam protegidos ou exigiam adaptações além dos caminhos mais simples.
O caso indica por que a preparação também passa por medidas básicas de segurança. A tecnologia pode aumentar o volume de tentativas sem precisar descobrir uma maneira inédita de invadir um sistema.
No Brasil, um levantamento da Cohesity indicou que apenas 45% das empresas tinham um plano completo para responder a ataques relacionados à IA. A pesquisa ouviu 3.200 líderes de tecnologia e segurança em 11 países.
Entre os participantes brasileiros, 64% relataram lacunas significativas ou moderadas na cobertura de modelos, ferramentas e processos de IA por seus planos quando enfrentaram um ataque cibernético relevante nos 12 meses anteriores.
A informação da Axios trata da preparação para uma possível crise, não do anúncio de um novo ataque. Os incidentes anteriores aparecem como contexto.
Em julho, agentes da OpenAI alcançaram a infraestrutura da Hugging Face durante uma avaliação interna. A desenvolvedora reconheceu depois que deveria ter agido antes e anunciou mudanças nos controles.
Um programa que oferece modelos avançados, apoio de engenharia e pesquisa a fornecedores responsáveis pela proteção de sistemas como redes elétricas, abastecimento de água e transportes.
Não. O caso documentado pela Amazon mostra o uso de IA para ampliar uma operação que aproveitava problemas de configuração e autenticação, como interfaces expostas e credenciais fracas.